janeiro 24, 2022

Falência ovariana precoce: O que é e como interfere na fertilidade

Comitê Editorial IVI Salvador

Falência ovariana precoce. Você conhece esse termo? Embora o nome soe um pouco estranho, essa condição é muito mais conhecida do que você imagina.

A falência ovariana precoce (FOP), ou ainda insuficiência ovariana primária (IOP), é definida por amenorreia por 4 a 6 meses.

Ou seja, ela está diretamente associada à ausência de menstruação. Pode ocorrer como um caminho natural da vida das mulheres, que normalmente a partir dos 50 anos deixam de menstruar. Mas, pode vir mais cedo…

Uma mulher nasce com cerca de 2 milhões de folículos primordiais. Na adolescência, essa quantidade já se reduziu para cerca de 400 mil. Aos 38 anos, 25 mil; chegando aos 50 anos com cerca de 1.000 óvulos. Nas pacientes com FOP, esse esgotamento de óvulos ocorre precocemente.

Algumas pacientes apresentam número de folículos normais. Mas que não respondem à ação das gonadotrofinas. Assim, falham na indução da síntese de estrogênios, resultando em amenorreia hipergonadotrófica.

Risco da Falência Ovariana Precoce por faixa etária

A incidência de falência ovariana precoce é cerca de 1:1.000 antes dos 30 anos, 1:250 em torno dos 35 anos e de 1:100 aos 40 anos. Representa entre 10 e 28% dos casos de amenorreia primária, entre 4 e 18% dos quadros de amenorreia secundária e de 2 a 3% das situações de infertilidade de causa feminina.

A falência esporádica é a forma mais comum. Porém, em cerca de 5% dos casos, observa-se uma história familiar positiva, o que sugere uma predisposição genética para essa patologia.

O quadro clínico é caracterizado pela ausência de menstruação. Neste caso, geralmente é precedida por um período de irregularidade menstrual e flutuações das gonadotrofinas, tendo uma apresentação muito complexa.

Muitas vezes o primeiro sinal é uma resposta inadequada à estimulação ovariana ou exames que mostrem uma reserva ovariana baixa. Para essas pacientes, a chance de FOP é cerca de quatro vezes maior. Portanto, elas devem se alertar sobre os riscos futuros de sua vida reprodutiva.

Sintomas da Falência Ovariana Precoce

Os sintomas costumam ser intensos, tanto vasomotores (sudorese e ondas de calor), como atrofia vaginal e cutânea, consequentes do hipoestrogenismo. Podem ainda apresentar insônia, irritabilidade, cefaleia, instabilidade emocional e depressão, levando a grande comprometimento da qualidade de vida.

“O impacto emocional que as mulheres sofrem com o diagnóstico de FOP é imenso, com uma grande sensação de frustração e de perda da sua fertilidade e feminilidade, portanto, o ginecologista deve ter muito cuidado ao dar essa notícia e sempre oferecer todo o apoio necessário, inclusive psicológico”, explica Dr. Fábio Vilela, ginecologista do IVI Salvador.

Do ponto de vista reprodutivo, alguns estudos demostraram que 16 a 50% das mulheres que tem com Falência Ovariana Precoce, sem amenorreia por 3 a 6 meses ovularam, mas somente cerca de 5 a 10% delas engravidaram espontaneamente ou com ajuda de tratamento. A maioria das vezes, a única opção para uma gestação é utilizando óvulos doados.

Entre 80/90% das vezes não se encontra uma causa, sendo considerada idiopática. Em cerca de 5% dos casos, ocorre a forma hereditária, em que a FOP pode ser prevista pelo histórico familiar. O restante ocorre de forma esporádica.

Como tratar a Falência Ovariana Precoce

Apesar da heterogeneidade de causas, os princípios fundamentais do tratamento que acarretam a falência ovariana precoce são os mesmos: a terapia de reposição hormonal, obtenção de gravidez na mulher jovem e/ou preservação da fertilidade e prevenção e tratamento de doenças associadas (autoimunes) ou decorrentes do hipoestrogenismo.

Tratamento da infertilidade para pacientes com Falência Ovariana Precoce

O tratamento da infertilidade vai depender do estágio em que foi feito o diagnóstico. Podendo se dividir em algumas fases.

1) Prevenção da FOP: pacientes que irão se submeter a cirurgia, quimioterapia ou radioterapia podem realizar a preservação da fertilidade e assim manter a chance de gravidez após o tratamento.

Isso vale também para aquelas com diminuição da reserva ovariana precocemente e história familiar de FOP.

2) Restauração da função ovariana: 5% a 10% das pacientes ainda apresentam alguma função ovariana e podem engravidar até mesmo espontaneamente, no caso de amenorreia secundária com cariótipo normal. Se amenorreia primária, esta chance é praticamente nula.

Nos casos em que se percebe uma diminuição precoce da reserva ovariana em pacientes que desejam engravidar, pode-se estimular os ovários para realizar um tratamento de fertilização in vitro.

3) Ovodoação: se os ovários realmente já entraram em falência completa, já não responde mais a estimulação ovariana. Neste caso, a opção para uma gestação é o tratamento com óvulos doados. 

Apoio psicológico e perspectivas

O impacto emocional que o diagnóstico de Falência Ovariana Precoce causa na mulher é muito grande. A menopausa natural por si só já causa nas mulheres, sentimento de perda da feminilidade e muitas vivenciam certo grau de sofrimento.

“Na FOP, esses sentimentos de perda e frustração costumam ser ainda maiores. Soma-se a isso a perda da fertilidade precoce, sendo que várias ainda não têm filhos e algumas não se planejaram, não preservaram sua fertilidade. Para algumas é um abismo se abrindo à sua frente. De acordo com esse cenário, muitas vezes essas mulheres requerem um acompanhamento psicológico, que sempre lhes deve ser oferecido”, explica o especialista.

É importante ressaltar sempre que ainda não existe, infelizmente, um tratamento que consiga recuperar a função ovariana depois que o ovário entrou em falência. Entretanto, a medicina reprodutiva vem avançando muito ano após ano. Os estudos e pesquisas já ajudam muitas essas mulheres com técnicas mais modernas e opções como a ovodoação e outras técnicas que podem permitir levar adiante uma gestação diante desse cenário.

“O que nós sempre dizemos em consultório é que por mais sério que o diagnóstico possa parecer, a mulher não deve entrar em desespero. Com uma rede de apoio e suporte, com a família, o/a companheiro (a) e amigos, ela seguirá adiante. Fará o tratamento que estiver mais adequado ao seu caso particular, terá amparo das técnicas da medicina reprodutiva e poderá seguir sua vida na busca dos seus sonhos”, finaliza Dr. Fábio.

 

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