janeiro 3, 2022

Laparoscopia: criação e uso na ginecologia

Comitê Editorial IVI Salvador

A laparoscopia é uma técnica cirúrgica que traz muitos benefícios para pacientes e médicos. Ela provoca um menor trauma cirúrgico, menos sangramento intra-operatório, e menos dor pós-operatória. Além disso, ajuda na diminuição da quantidade de analgésicos após a cirurgia, tem melhor efeito estético, e uma recuperação pós-operatória mais rápida.

Essa técnica, entretanto, surgiu apenas como ferramenta de diagnóstico e teve o seu início no começo do século XX, mais precisamente no ano de 1902. Cerca de 80 anos depois (1982), foi que ela começou a ser utilizada com o caráter cirúrgico, para facilitar os procedimentos. Inicialmente utilizava-se apenas em alguns procedimentos ginecológicos.

Em 1985 realizou-se a primeira colecistectomia (retirada da vesícula biliar) por meio da laparoscopia. A partir dessa data um novo conceito cirúrgico, menos invasivo e agressivo começou a ser difundido. Além da aplicação laparoscópica (abdômen) utiliza-se a técnica em artroscopias (articulações), toracoscopia (tórax), entre outras.

Todo esse avanço que a laparoscopia experimentou desde a sua criação, possibilita um retorno mais rápido das pacientes às atividades habituais e ao trabalho. Graças ao surgimento de técnicas assim, conhecidas como “cirurgias minimamente invasivas”, é possível fazer intervenções importantes, realizando apenas pequenas aberturas no corpo do paciente. E com mais efetividade.

Como é realizada a técnica?

Como dissemos acima, a laparoscopia é uma técnica minimamente invasiva, feita com a ajuda de uma microcâmera e utilizando de pequenas incisões. Hoje, graças à evolução da tecnologia, pode-se acessar praticamente todos os órgãos do corpo humano através do seu uso.

“A videolaparoscopia atual permite colher material para biópsias e também praticar intervenções cirúrgicas – que antes só eram possíveis por meio de cirurgias abertas. Ajuda muito os pacientes, tende a reduzir os tempos de recuperação e de pós operatório e também beneficia muitas mulheres, pois cirurgias no sistema reprodutor, que antes poderiam causar danos à fertilidade podem ser realizadas com mais precisão com o uso da técnica da laparoscopia, reduzindo o risco de infertilidade a essas mulheres”, explica Dra. Genevieve Coelho, diretora médica do IVI Salvador.

O paciente é internado como em uma cirurgia convencional, e fica sob efeito de anestesia geral para que o médico inicie o procedimento. Por meio da técnica da laparoscopia, através de uma incisão no corpo do paciente, o cirurgião insere o laparoscópio, que nada mais é do que um cabo de fibra óptica contendo uma mini câmera na sua extremidade.

Com isso, o cirurgião pode visualizar as estruturas internas do corpo humano. Transmite-se imagens de alta resolução através dessa mini câmera que são exibidas nos monitores de vídeo. Pode-se inclusive gravar essas imagens para estudos posteriores. E através delas, o médico se guiará para conduzir a cirurgia.

Em um outro pequeno corte, ele pode inserir outras ferramentas cirúrgicas, como o bisturi para realizar a cirurgia, por exemplo. E para facilitar a movimentação dos materiais dentro do espaço abdominal, o profissional deve inserir dióxido de carbono para distender o ambiente interno do organismo. Às vezes, isso pode provocar um pouco de desconforto ao paciente no pós-operatório, mas é passageiro.

A ampliação da imagem através dos monitores, oferece ao cirurgião uma melhor exposição dos órgãos doentes. E consequentemente das suas estruturas adjacentes, vasos sanguíneos e nervos. O que gera, como resultado, manobras mais delicadas e a proteção de estruturas vitais durante a remoção ou o reparo dos órgãos doentes.

Outra vantagem da laparoscopia é a redução da taxa de infecção. Isto ocorre porque os tecidos intra-abdominais não são expostos ao ar ambiente durante longos períodos, como normalmente ocorre quando o abdômen é aberto em cirurgias tradicionais.

Laparoscopia e infertilidade

Quando a mulher tem dificuldade para engravidar naturalmente – após mais de um ano de relações sexuais frequentes – a situação é caracterizada como um quadro de infertilidade. Como o objetivo é descobrir a causa do problema, são requisitados alguns exames e, entre eles, pode estar a laparoscopia, de acordo com as suspeitas dos médicos.

A videolaparoscopia ginecológica na medicina reprodutiva é um procedimento usado para o diagnóstico e tratamento de afecções dos órgãos pélvicos. E sempre deve ser realizada por especialistas nesta área que tenham uma visão da importância da preservação da fertilidade. Principalmente da anatomia dos órgãos reprodutores.

O exame ajuda a investigar não apenas através das imagens, mas também a coleta de material para biópsias. A laparoscopia pode ser requisitada para avaliar e tratar diferentes condições de saúde associáveis a quadros de infertilidade, endometriose, miomas uterinos, alterações tubárias e aderências.

Por se tratar de um procedimento minimamente invasivo, o cirurgião visualiza e manipula os órgãos localizados no interior da cavidade uterina e abdominal. Tudo isso através de uma câmera e pinças com menos de 1 cm de diâmetro. Entre as vantagens estão: melhor visualização dos órgãos pélvicos e abdominais, menos dor, cicatrizes menos evidentes, entre outras.

E, se houver a necessidade de tratamento, praticamente pode -se  realizar todas as cirurgias ginecológicas por meio da videolaparoscopia. Remoção de miomas, endometriose e obstruções nas trompas, a correção de hidrossalpinge (dilatação nas tubas uterinas) e de malformações uterinas.

Indica-se o procedimento também como solução para uma gravidez ectópica. Quando a gestação acontece nas trompas, e, infelizmente, não tem possibilidade de desenvolvimento.

“No caso da mulher que identificou a infertilidade depois desse tempo tentando engravidar sem sucesso, a laparoscopia pode ser a porta de entrada para investigação e definição do tratamento. Se encontrada a causa da infertilidade e tratada, basta seguir normalmente com as tentativas de engravidar. Se for algo mais sério, ainda assim a paciente pode aliar a laparoscopia com uma segunda etapa de tratamento, aderindo a procedimentos de reprodução assistida para dar continuidade no sonho da maternidade”, explica Dra. Genevieve.

Vale ressaltar que a laparoscopia não é útil apenas para a reprodução assistida. Pode-se solucionar algumas condições por meio do procedimento e, assim, é possível que a concepção natural aconteça em alguns casos.

 

 

 

 

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