A infertilidade se caracteriza quando depois de um ano de tentativas de gravidez, um casal não consegue engravidar naturalmente. Após este período é preciso consultar um especialista em reprodução humana assistida que irá solicitar uma série de exames para identificar a causa da infertilidade. Nos casos em que a mulher tem idade superior a 35 anos, recomenda-se consultar um especialista após 6 meses de tentativas, assim como o especialista em reprodução humana também é o médico indicado para consultar em casos em que a gravidez acontece, porém por diferentes razões não se desenvolve até o nascimento do bebê, como é o aborto de repetição, por exemplo.
80 % dos casos de esterilidade feminina deve-se principalmente a:
Com relação ao homem, as principais causas de infertilidade são:
Varicocele é a principal causa de infertilidade masculina, representa cerca de 40% dos casos. Esta patologia que afeta os testículos se caracteriza pela dilatação das veias dos testículos, como uma espécie de varizes. A varicocele afeta cerca de 15% da população masculina.
Nem todos portadores de varicocele terão dificuldades para ter filhos, porém ao identificar a presença de veias nos testículos ou o sintoma de dor, é preciso consultar um urologista para impedir que o avanço desta condição afete a fertilidade.
Cerca de 25 % dos casos de esterilidade feminina deve-se a um fator tubário, ou seja, a uma alteração nas trompas de Falópio. Em condições normais, as trompas comportam-se como uma rede de pescar recolhendo o óvulo libertado na ovulação, transportando os espermatozoides até o óvulo e conduzindo o óvulo já fertilizado ao útero. O dano parcial das trompas, devido a uma aderência, ou total, por obstrução tubária, impede este transporte e, como consequência, não se produz a fecundação.
O dano tubário pode produzir-se devido a:
O fator tubário relaciona-se também com a gravidez ectópica, que acontece quando o embrião não chega à cavidade uterina, por alterações no diâmetro e na parte interna da trompa, impedindo o seu transporte adequado.
Do ponto de vista biológico, a idade perfeita para ter filhos está entre os vinte e cinco e os trinta anos de idade da mulher. Mas, hoje em dia, a sociedade é diferente e os casais decidem ter filhos depois destas idades devido a diversos fatores sociais e econômicos. No entanto, a partir dos trinta e cinco anos, a fertilidade feminina começa a diminuir mais rapidamente e, a partir dos 45, a possibilidade de engravidar de forma espontânea é rara.
O nome endometriose deriva da palavra endométrio, que é o tecido que reveste o útero no seu interior, e que se descama todos os meses com a menstruação. A endometriose consiste na presença deste tecido endometrial fora da sua localização habitual, que é dentro do útero. A localização mais frequente da endometriose é nos ovários, nas trompas e no revestimento da cavidade pélvica. Este tecido é sensível às alterações hormonais que se produzem com a menstruação, e por isso os sintomas costumam se relacionar com o ciclo menstrual e os tratamentos para a endometriose costumam bloquear a menstruação. No entanto, existem portadoras de endometriose que não apresentam sintomas. As consequências mais frequentes desta patologia são dores e infertilidade.
A infertilidade relacionada com a endometriose pode derivar das alterações que ocorrem na anatomia pélvica destas pacientes durante os ciclos menstruais. Também existem estudos que associam a endometriose a uma pior qualidade da reserva ovariana. A endometriose pode provocar obstrução das trompas ou formação de cistos ovarianos de endometriose que, em determinadas ocasiões, necessitam de cirurgia, com a consequente perda de tecido ovariano e diminuição da fertilidade. Existem tratamentos, tanto médicos como cirúrgicos, e em muitos casos a obtenção de uma gravidez pode melhorar a evolução da doença.
O diagnóstico pode ser confirmado pela visualização em ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética, no entanto, um diagnóstico preciso só poderá realizar-se através da visualização direta das lesões, que em determinadas ocasiões têm um tamanho mínimo e apenas é possível identificá-las através de laparoscopia.
Esta avaliação diz respeito ao ginecologista, que irá considerar o tamanho dos cistos e a reserva ovariana ou capacidade de resposta do ovário afetado. A FIV é um tratamento apropriado para a esterilidade associada à endometriose quando outras técnicas para conseguir engravidar fracassaram. A gestação será uma terapia temporária excelente para a melhoria da endometriose.
Cerca de 20% das mulheres tem ovários policísticos (OP). Este termo faz referência ao aumento do número de pequenos quistos (folículos antrais) na superfície do ovário ao ser analisado nas ultrassonografias. Existe um grande número de mulheres com OP que não têm problemas de ovular e engravidar.
No entanto, algumas destas mulheres com este padrão ecográfico característico têm também a condição de Síndrome de Ovários policísticos (SOP). Estas mulheres apresentam ciclos menstruais irregulares ou mesmo ausência de menstruação, portanto terão problemas para engravidar pela falta de ovulação.
Entre os fatores determinantes desta situação estão o estresse, a perda ou o ganho significativo de peso, a produção excessiva de prolactina (hormônio encarregado de produzir o leite materno) e os ovários policísticos que merecem uma menção especial devido à sua complexidade e frequência. Aproximadamente 35% das mulheres em algum momento da sua vida apresenta anovulação. A origem da alteração hormonal pode estar no hipotálamo, na hipófise ou no próprio ovário.
Para estudar a fertilidade masculina realiza-se uma análise que testa o número, a atividade e a forma dos espermatozoides. Um resultado idôneo para conceber é ter mais de 39 milhões de espermatozoides na ejaculação com pelo menos 32% de espermatozoides com movimento progressivo e pelo menos 4 % de formas normais. Quando se tem quantidades menores a probabilidade de gravidez se reduz consideravelmente.
Outro exame solicitado ao homem e também à mulher é o cariótipo, que tem como objetivo descartar possíveis alterações cromossômicas que podem afetar a capacidade de engravidar.
Os espermatozoides podem apresentar anomalias no seu movimento (astenozoospermia), na sua forma (terazoospermia) ou na sua vitalidade (necrozoospermia).
Infecções ou presença de anticorpos.
Os espermatozoides podem apresentar anomalias devido a: