dezembro 5, 2019

Síndrome dos Ovários Policísticos e a infertilidade

Comitê Editorial IVI Salvador

O útero feminino traz dois ovários, localizados um de cada lado. Os ovários são responsáveis pela produção dos hormônios sexuais nas mulheres. Além disso, eles acolhem os óvulos que cada mulher traz consigo desde o ventre materno. De 20% a 30% das mulheres em idade reprodutiva podem desenvolver um distúrbio conhecido como Síndrome do Ovário Policístico (SOP). Mas somente em 10% delas a doença traz algum sintoma. Outros casos são assintomáticos e manter um acompanhamento é fundamental para identificar precocemente.

Como a enfermidade provoca um desequilíbrio hormonal, a menstruação se torna irregular. A produção de testosterona (hormônio masculino) em maior quantidade e outros hormônios em menor quantidade provoca uma disfunção. Consequentemente, acaba levando à formação de cistos, que provocam o aumento da estrutura ovariana.

Isso pode tornar o órgão até três vezes maior que o normal e desencadear a anovulação crônica (suspensão da ovulação). Ou seja, já que a mulher não ovula adequadamente, podem acontecer longos intervalos entre os ciclos menstruais, ficando até meses sem menstruar.

A Síndrome dos Ovários Policísticos pode levar a infertilidade

Muitas vezes a descoberta da Síndrome dos Ovários Policísticos só acontece quando a mulher decide engravidar e não consegue. A SOP é responsável por mais da metade dos problemas de infertilidade nas mulheres que têm dificuldade de ovular.

E mesmo quando consegue engravidar existem dois riscos: aborto espontâneo no primeiro trimestre, e desenvolver diabetes gestacional. Ainda assim, quando a SOP é causa única da infertilidade, as chances de gravidez são boas, após correção do distúrbio.

O tratamento das pacientes portadoras desta síndrome deve ser individualizado e extremamente criterioso. Além disso, vai variar de acordo com o quadro clínico de cada paciente. No caso da infertilidade, o especialista pode indicar a técnica de estimulação da ovulação com medicamentos adequados.

Grande parte das mulheres responde bem ao tratamento e consegue engravidar. Se isso não acontecer, pode ser feito o estimulo dos ovários com gonadotrofinas e tratamentos hormonais. Esses tratamentos acabam atuando também na regulação do ciclo menstrual. Como há tendência ao ganho de peso, o tratamento pode incluir medicamentos para prevenir diabetes e evitar o colesterol elevado.

Se o corpo não responder aos medicamentos, há ainda possibilidade de procurar serviço especializado em reprodução humana assistida para técnicas específicas. Para essas pacientes, é indicada a fertilização in vitro (FIV). Especialmente quando existem outras causas, além da ovulação comprometida, que estejam dificultando a gravidez.

Os sintomas da Síndrome de Ovários Policísticos

Todo mês ocorre o amadurecimento dos óvulos nos ovários. Com a SOP esse processo mensal fica comprometido. Assim, quando a célula reprodutiva feminina não se desenvolve como deveria, vira um folículo enrijecido, que fica preso na região. Esse é o famoso cisto no ovário.

Assim, a aglomeração de cistos, associada com o excesso de hormônios masculinos, pode impedir a formação de óvulos saudáveis. O que altera ou interrompe o ciclo menstrual, levando ao aparecimento de uma série de sintomas. Isso pode resultar na infertilidade.

Esses sintomas podem variar de acordo com cada mulher. A SOP pode começar a se manifestar na adolescência. Mas geralmente a irregularidade no ciclo menstrual não é o fator que mais chama atenção. Mas sim o surgimento de pelos em excesso, a pele com muita oleosidade e o surgimento de acnes.

Essas ocorrências são provocadas pela presença de mais testosterona do que o normal no organismo. Com o passar dos anos, quando a mulher deseja engravidar, a irregularidade menstrual é uma das principais queixas e a SOP é uma das doenças mais comuns a desencadear casos de infertilidade feminina.

Ciclos menstruais irregulares e diminuição na frequência da ovulação podem trazer como consequência a dificuldade para engravidar, seja naturalmente ou até através de fertilização. A SOP favorece também o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. Com os níveis de hormônios masculinos androgênios (como a testosterona) são produzidos em excesso nos ovários, outros sintomas comuns podem surgir.

Pode acontecer um crescimento anormal de pêlos no baixo ventre, queixo, seios e buço. Queda de cabelos, aumento de peso e obesidade, além de manchas na pele, principalmente nas axilas e atrás do pescoço.

O diagnóstico precoce da síndrome ajuda a preservar a fertilidade

As possíveis causas para a SOP ainda são desconhecidas pela ciência. E apesar de não existir cura, os sintomas podem ser amenizados. Após avaliação completa é feito um diagnóstico, que deixa de fora problemas com a tireóide ou com a glândula supra-renal.

É preciso realizar uma sequência de exames, pois somente a ultrassonografia não é suficiente para confirmar a presença da síndrome. Em geral, são solicitados exames laboratoriais como dosagem de testosterona total, androstenediona, 17-OH-alfa-progesterona, S-DHEA, entre outros, e ultrassonografia transvaginal.

Após a confirmação, normalmente é indicado o uso de anticoncepcionais hormonais, pois auxiliam na diminuição do hormônio masculino. Mas os medicamentos variam de acordo com o quadro de sintomas e suas complicações.

Manter uma alimentação saudável e praticar exercícios físicos é de grande importância para ajudar no controle dos sintomas. Nos casos em que os sintomas se manifestam na pele, tratamentos cosméticos com dermatologistas também podem ajudar.

Acompanhar sua saúde de perto é o melhor caminho

As portadoras da síndrome dos ovários policísticos devem compreender que o tratamento da SOP pode não ser o mesmo da infertilidade. Por conta disso, o especialista em reprodução humana é essencial nesse processo. A consulta médica especializada é de fundamental importância para identificar o passo a passo do tratamento.

Consultar regularmente o ginecologista é uma recomendação natural, mas que merece destaque. Não pode haver descuido. Mulheres com ovário policístico correm risco de desenvolver problemas cardiovasculares na menopausa. Elas devem também controlar o peso, através de dietas de baixo teor de carboidratos. Isso porque a obesidade agrava os sintomas da SOP, além de por si só causar uma série de complicações.

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