A infertilidade é uma realidade que afeta muitos casais e indivíduos em todo o mundo. Ela impede que muitas pessoas realizem o sonho de ter filhos biológicos. No entanto, graças aos avanços da medicina reprodutiva, a doação de sêmen, óvulos e embriões se tornou uma opção valiosa para aqueles que enfrentam dificuldades para conceber.
Se você não pode usar seus próprios óvulos ou espermatozoides devido a fatores genéticos, idade, menopausa precoce, tratamentos de câncer ou outros motivos, a medicina reprodutiva moderna oferece diversas alternativas eficazes através de técnicas de reprodução assistida.
Ovodoação (Doação de Óvulos)
Mulheres que enfrentam dificuldades para produzir óvulos saudáveis têm na doação de óvulos uma opção importante para a concepção. Nesse procedimento, uma doadora saudável fornece seus óvulos, que são fertilizados com o sêmen do parceiro ou de um doador, e os embriões resultantes são transferidos para o útero da mulher que deseja engravidar.
As doadoras de óvulos também passam por avaliações rigorosas para garantir sua saúde e qualidade dos óvulos. Geralmente, as doadoras são jovens e saudáveis, maximizando as chances de sucesso. A doadora pode ser anônima (bancos de óvulos) ou familiar (parentes de até 4º grau).
A seleção de doadoras compatíveis geneticamente é essencial para minimizar os riscos de complicações genéticas. A escolha cuidadosa da doadora pode garantir que os embriões gerados sejam geneticamente compatíveis com a receptora.
O procedimento é indicado quando a mulher não possui óvulos próprios ou os que tem não são viáveis.
Doação de Sêmen
A doação de espermatozoides é uma opção crucial para casais em que o parceiro masculino enfrenta problemas de produção de sêmen de qualidade insuficiente ou quando há risco de transmitir doenças genéticas. Nesse procedimento, um doador saudável fornece seu espermatozoide, que é usado para fertilizar os óvulos da parceira ou de uma doadora, por meio de inseminação artificial, ou fertilização in vitro (FIV).
Os doadores passam por rigorosas avaliações médicas, psicológicas e genéticas para garantir que sejam saudáveis e livres de condições genéticas hereditárias. Essa seleção criteriosa minimiza os riscos para a saúde do bebê.
Dependendo das regulamentações locais e da preferência do casal, a doação de sêmen pode ser anônima, significando que o doador não é conhecido pelos pais, ou não anônima, permitindo que o filho tenha acesso à identidade do doador quando atingir a maioridade.
Esse tipo de doação é indicada para casos de infertilidade masculina severa ou mulheres solteiras/casais homoafetivos.
Doação de Embriões (“Adoção de Embriões”)
Indicada quando nenhum dos parceiros pode fornecer gametas funcionais, ou para casais homoafetivos que necessitam de óvulo e sêmen doados. A doação de embriões é uma opção para casais que enfrentam múltiplos desafios de fertilidade, incluindo problemas de qualidade dos óvulos e do espermatozoide.
Nesse processo, embriões excedentes de casais que passaram por tratamentos de FIV bem-sucedidos são doados para outros casais que desejam engravidar.
Os embriões doados são rigorosamente avaliados quanto à qualidade e viabilidade antes de serem transferidos para a receptora. Isso aumenta as chances de uma gravidez bem-sucedida.
Ovodoação Compartilhada
Uma modalidade da ovodoação com custos reduzidos. Uma mulher em tratamento de FIV (doadora) divide seus óvulos com outra paciente (receptora), dividindo também os custos do procedimento.
Para ser doadora em um processo de ovodoação compartilhada, é preciso ter no máximo 37 anos e uma boa reserva ovariana, podendo cada clínica utilizar seus próprios protocolos.
Um dos primeiros passos é a realização do exame anti-mulleriano e a contagem de folículos antrais para avaliação da reserva ovariana da mulher. Além disso, a candidata a doar óvulos deve fazer testes para marcadores de doenças infectocontagiosas como AIDS, hepatite, sífilis, bem como exames para doenças genéricas.
É importante lembrar que para realizar a ovodoação compartilhada é preciso estar em tratamento de Reprodução Assistida, e passar também por consultas com a psicóloga. A doação tem que ser altruísta.
Método ROPA (Recepção de Óvulos da Parceira)
O método ROPA (Recepção de Óvulos da Parceira) é uma técnica de fertilização in vitro (FIV) para casais homoafetivos femininos, permitindo a maternidade compartilhada: uma parceira fornece os óvulos (biológica) e a outra gera o bebê (gestante). Utiliza-se sêmen de doador anônimo, possibilitando que ambas as mães participem ativamente da gestação.
Primeiro é feita a seleção do doador. O espermatozoide é obtido de bancos de sêmen, geralmente com doação anônima. Depois acontece a estimulação e coleta. A parceira que doará os óvulos passa por estimulação ovariana e coleta (punção folicular). Na sequência, os óvulos são fertilizados em laboratório com o sêmen doador, formando os embriões.
Depois, a outra parceira (receptora/gestante) vai preparar o útero com hormônios e recebe o embrião. Acontecendo a gestação, segue com o acompanhamento pré-natal é realizado normalmente após a transferência.
No Brasil, é permitido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) com consentimento informado e regras da Anvisa. O método é considerado seguro e eficaz, proporcionando uma experiência positiva de maternidade compartilhada.
Barriga Solidária (Gestação de Substituição)
O útero solidário é um ato generoso e emocionalmente significativo, em que uma mulher, chamada de ‘útero solidário’ ou ‘gestante de substituição’, se oferece para carregar e gestar o embrião de outro casal. Esse procedimento geralmente ocorre quando uma mulher, por razões médicas, não pode levar uma gravidez adiante.
No útero solidário, o embrião é formado a partir dos gametas (óvulos e espermatozoides) dos futuros pais ou doadores. Uma vez que o embrião é produzido em laboratório, é transferido para o útero da ‘gestante de substituição’.
Durante a gestação, a mulher que cedeu seu útero não tem vínculo genético com o bebê, sendo apenas a ‘incubadora’ do embrião até o nascimento.
Esse processo é regulamentado legalmente e eticamente em muitos países, inclusive no Brasil, para proteger os direitos de todas as partes envolvidas: o casal que doou o embrião, a mulher que cedeu seu útero e o futuro bebê.
Regulamentação
No Brasil, a doação de óvulos ou sêmen não pode ter caráter lucrativo ou comercial. A doação de embriões é feita através de clínicas de reprodução, passando por avaliações médicas e psíquicas. Recomenda-se uma consulta com um especialista em reprodução assistida para definir a melhor alternativa.
“Cada paciente é único, e o tratamento mais adequado pode variar. O caminho para a maternidade ou paternidade pode ter seus desafios, mas também há muita esperança e opções disponíveis. Consultar um médico especialista em fertilidade é essencial para compreender melhor qual tratamento para engravidar se adequa melhor às suas necessidades e condições”, explica o Dr. Agnaldo Viana, do IVI Salvador.
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