junho 28, 2019

Avanços na seleção de embriões permitem aumentar chances de sucesso para gravidez

Uma das técnicas de pesquisa em que mais se investe recursos atualmente no segmento de Reprodução Humana, é o aprimoramento da seleção de embriões.  Portanto, recentemente, a aplicação da Inteligência Artificial (IA) para alcançar automatização na escolha de embriões ou realização de análises genéticas tem sido um passo à frente na melhoria da seleção. E, consequentemente, na melhoria dos resultados.

O 35º Congresso da ESHRE (Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia), um dos eventos mais importantes do setor, foi realizado este ano de 23 a 26 de junho, em Viena – Áustria. O IVI (Instituto Valenciano de Infertilidade) apresentou dois estudos relacionados com a análise do meio de cultura de embriões, com base na análise do ambiente para conhecer da melhor forma possível a qualidade dos embriões. E, portanto, aumentar as chances de sucesso que o paciente pode ter durante o tratamento.

No primeiro estudo apresentado, “Perfil protéico da transferência de embriões simples euplóides revela padrões diferenciais entre eles” desenvolvidos no IVI Valencia, na Espanha, entre setembro de 2017 e março 2018, em uma amostra de 81 ciclos preparado para transferência de um embrião único (do inglês single blastocyst transfer – SET), as proteínas secretadas pelo embrião no meio de cultura foram estudadas e analisadas.

O que dizem os especialistas

“A importância deste estudo é que eles são embriões que já foram geneticamente testados com resultados euplóides. Tem mais valor porque, apesar de serem embriões geneticamente selecionados, nem todos conseguem implantar. Então, a ideia é melhorar o processo de seleção através da análise de proteínas. Neste estudo, utilizamos a ajuda, em parte, da inteligência artificial associada as imagens obtidas através do Embryoscope e Geri (dois modelos de incubadoras). Portanto, desenvolvendo um método que combina as imagens com o método de seleção de proteínas “, diz Dr. Marcos Meseguer, investigador principal do estudo e diretor de pesquisa do IVI Valencia – Espanha.

“Nós confirmamos uma secreção significativamente alta de IL-6 e IL-8 em embriões em fase de crescimento, destacando o potencial dessas moléculas durante o desenvolvimento embrionário. A maioria das concentrações de proteína mostrou um padrão de valores mais altos em blastocistos eclodidos “, acrescenta Dr. Meseguer.

O estudo da cultura em cultivo múltiplo de embriões

O segundo estudo, é o  “Perfil oxidativo de alta cultura como biomarcador de embriões de boa qualidade: uma ferramenta não invasiva para selecionar o embrião a ser transferido“. Este, baseia-se no estudo da cultura em cultivo múltiplo de embriões. Entre 10 e 12 embriões são encontrados na mesma gota, com o objetivo de analisar se o perfil oxidativo pode ser um bom biomarcador para determinar a qualidade dos embriões.

Segundo o Dr. Meseguer, “analisamos o meio de cultura quando todos os embriões foram cultivados juntos, detectando que há um perfil oxidativo diferente quando os embriões são de boa qualidade e quando há parâmetros que tornam os embriões inviáveis. Nós desenvolvemos um método para avaliar o meio onde os embriões são cultivados. Ao não realizar um cultivo individual, analisamos a oxidação que é gerada como um valor mensurável no meio em que os embriões são cultivados. Quanto mais ativos os embriões são e quanto melhor a qualidade, mais oxidação eles geram dentro do meio de cultura.  Isso que indica que eles estarão mais aptos a realizar a transferência. Garantindo uma melhor taxa de sucesso no ciclo para a paciente. Ao contrário, nos critérios de classificação, o nível de estresse oxidativo diminuiu com o comprometimento na qualidade do embrião”.

O trabalho apresentado, também desenvolvido no IVI Valencia – Espanha, analisou entre maio de 2017 e dezembro de 2018 uma amostra de 683 embriões de um total de 174 ciclos realizados pela In Vitro Fertilization (IVF). 

No Congresso ESHRE 2019 foram 49 comunicações: 14 orais, 31 cartazes e 4 sessões de convidados

ESHRE é o maior congresso europeu da reprodução assistida, um lugar de encontro de grandes profissionais e médicos especialistas em reprodução humana de todo o mundo, inclusive do Brasil. Uma cidade européia é escolhida a cada ano para sediar o congresso. Em 2018, o evento aconteceu em Barcelona, este ano Viena foi a eleita. No ano de 2020, Copenhagen, na Dinamarca, já foi escolhida. A cada ano, são alcançadas conclusões importantes que irão moldar o futuro na esfera reprodutiva, novos resultados que serão colocados em prática nas clínicas de reprodução humana assistida pelo mundo, trazendo cada vez mais sucesso e confiança aos pacientes que necessitam de tratamento reprodutivo.

As novidades e avanços apresentados em cada sessão, além das trocas de informações que ocorrem informalmente pelos corredores do IVI, vem sendo representados pelos seus médicos e embriologistas todos os anos. Nesta edição, o IVI teve 49 comunicações aceitas, 14 delas foram orais e 31 posteriores, às quais são adicionados 4 artigos, no programa geral.

“Ser parte do grupo IVIRMA, já é um grande diferencial por estarmos constantemente compartilhando as informações e descobertas de todo o grupo, o que nos permite maximizar resultados e sermos referência mundial em reprodução humana assistida. Mas, a participação ativa em eventos, como o Congresso ESHRE, é muito valioso, pois, esse intercâmbio de conhecimento é muito importante para agregar valores e potencializar a qualidade dos serviços prestados aos nossos pacientes” afirma Daniele Freitas Bulcão, coordenadora do laboratório de fertilização in vitro do IVI Salvador.

 

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