A prática regular de exercícios físicos vai muito além da estética ou do condicionamento físico. De forma geral, os exercícios contribuem para a prevenção de uma série de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e obesidade.
Já no contexto da fertilidade, a atividade física, se realizada regularmente, pode melhorar a circulação sanguínea, além de contribuir para a redução do estresse e manter o peso corporal em níveis saudáveis.
Todos esses fatores são necessários para a saúde reprodutiva de homens e mulheres e influenciam positivamente.
Atividade física e fertilidade feminina
Nas mulheres, a prática de exercício físico ajuda a regular o ciclo menstrual, a produção de hormônios essenciais para a ovulação e auxilia na redução do estresse e da ansiedade, condições que podem interferir diretamente no funcionamento do eixo hormonal responsável pela ovulação.
Além disso, contribui para o controle do peso corporal, fator diretamente ligado à fertilidade, já que o excesso ou a falta de gordura corporal pode causar desequilíbrios hormonais e dificultar a concepção e diminuir as chances de sucesso da fertilização.
Em casos de mulheres que sofrem com a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), o exercício moderado pode melhorar a sensibilidade à insulina e favorecer a regularidade do ciclo menstrual.
“Para mulheres que desejam engravidar, incluir exercícios regulares na rotina diária pode ser um fator importante para a saúde reprodutiva, contribuindo para o equilíbrio hormonal, o bom funcionamento do organismo e a redução de fatores que dificultam a concepção, além de promover uma gravidez mais saudável”, afirma a Dra. Genevieve Coelho, Diretora Médica do IVI Salvador.
Atividade física e fertilidade masculina
A atividade física também pode ser benéfica para a fertilidade masculina. Um estudo realizado em 2014, pelo Jornal Britânico de Medicina Esportiva, revelou que os homens que praticavam exercícios físicos regulares de intensidade moderada, como corrida e pedal, tinham espermatozoides de melhor qualidade do que homens sedentários. No entanto, atividades extenuantes e aquelas que fazem com que o homem passe muito tempo sentado, como, por exemplo, a bicicleta, também podem diminuir a qualidade e a produção seminal.
Exercício físico regular ajuda a reduzir o estresse, melhora a qualidade do sono e otimiza os níveis hormonais, como os da testosterona, que é um hormônio importante para a produção de sêmen.
No entanto, é importante notar que a qualidade do espermatozoide também é influenciada por uma variedade de outros fatores, incluindo a dieta, o peso corporal e o consumo de álcool, entre outros.
Para aqueles que buscam melhorar a fertilidade, é sempre recomendado consultar um profissional de saúde, como um urologista ou especialista em reprodução, e buscar orientação. Aliar orientações de um médico com um serviço profissional de educação física pode ajudar de forma considerável.
Qual a melhor rotina de exercícios para quem quer engravidar?
Não existe um padrão, mas de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o ideal é 150 a 300 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada para que a pessoa seja considerada ativa.
Ou seja, incorporar exercícios à rotina não exige, necessariamente, grandes mudanças. Vale ressaltar, que apesar dos benefícios, o excesso de atividade física pode ter o efeito contrário.
Treinos muito exaustivos e sem acompanhamento profissional podem levar à queda nos níveis hormonais, irregularidade menstrual e até à ausência de ovulação.
O mais importante é manter a constância, respeitando os limites do corpo, escolher atividades como caminhadas, natação, musculação, hidroginástica ou práticas que gerem prazer e contar com a orientação de um profissional de saúde e educação física, para maior segurança nas práticas.
Exercício físico e equilíbrio hormonal
Manter um estilo de vida ativo contribui para o equilíbrio hormonal, melhora o funcionamento do organismo e não apenas melhoram a saúde global como também reduz fatores que podem interferir na fertilidade.
Quando praticado de forma moderada e orientada, o exercício se torna um aliado para quem deseja engravidar.
A atividade física ajuda a regular a produção de hormônios essenciais para o ciclo menstrual, como estrogênio e progesterona. Quando o corpo está em equilíbrio hormonal, a ovulação tende a ocorrer de forma mais regular, aumentando as chances de uma gravidez natural.
Além disso, exercícios moderados auxiliam na redução do cortisol, o chamado “hormônio do estresse”, que em níveis elevados no corpo pode interferir negativamente na fertilidade.
“O estresse emocional é um dos fatores que mais impactam a fertilidade. A prática de exercícios libera endorfina e serotonina, hormônios ligados à sensação de bem-estar, ajudando a controlar a ansiedade e melhorar o humor. Um estado emocional mais equilibrado favorece o funcionamento do organismo como um todo, inclusive do sistema reprodutivo”, complementa a Dra. Genevieve Coelho.
Rotina de exercícios durante tratamentos de fertilidade
Cada caso é individual, quando falamos sobre fertilidade. Um ponto importante, é manter o diálogo com a equipe médica, afinal o tratamento é multidisciplinar.
Não é só uma questão de buscar um ginecologista ou urologista. É importante ter um profissional de educação física, nutrição e psicologia. No entanto, se você já pratica atividades físicas regularmente, não é necessário suspender totalmente, mas é fundamental adotar alguns cuidados e adaptar a rotina às mudanças que o corpo enfrenta nesse período.
Tratamentos como inseminação artificial ou Fertilização in Vitro (FIV) provocam algumas alterações hormonais, o que exige atenção especial à intensidade e ao tipo de exercício praticado.
Atividades físicas leves a moderadas podem ser benéficas, pois ajudam a reduzir o estresse, melhorar a circulação sanguínea, contribuir para a manutenção do peso saudável e promover bem-estar emocional, fatores que impactam positivamente para a saúde durante o tratamento.
Exercícios de alta intensidade, treinos exaustivos ou atividades com grande impacto devem ser evitados, especialmente em fases como a da estimulação ovariana, quando os ovários podem aumentar de tamanho e ficar mais sensíveis.
Nessas situações, práticas de baixo impacto com acompanhamento profissional, costumam ser mais indicadas.
“Cada tratamento de fertilidade é único, e por isso a orientação médica é indispensável. O acompanhamento do especialista permite ajustar a rotina de acordo com o momento do tratamento, garantindo assim mais segurança. Manter-se ativo com equilíbrio, sem excessos, é um aliado importante nesse processo”, conclui Dra. Genevieve.
É importante destacar que a atividade física é apenas uma parte do estilo de vida saudável que pode ajudar a melhorar a fertilidade. Dieta equilibrada, não fumar, não ingerir bebida alcoólica são fatores adicionais, mas igualmente importantes, que também colaboram para o êxito do tratamento.
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