junho 10, 2019

O impacto da Endometriose no sistema reprodutor feminino

Endometriose

A Endometriose é uma disfunção do endométrio (camada de células internas do útero) ainda sem causa definida pela medicina. Dentre as doenças, é a principal causa de infertilidade feminina. Pesquisas estimam que 01 em cada 10 mulheres em idade fértil no mundo tenha a patologia.

O problema provoca o surgimento de fragmentos (lesões) de endométrio em locais inapropriados. Exemplo de partes indevidas do útero, ovários e até órgãos que não compõem o sistema reprodutor, rim, bexiga e intestino.

Estes focos comprometem o funcionamento do organismo e podem causar sintomas agudos, estando relacionados a aspectos como profundidade, extensão e localização das lesões. Dentre os principais, destacam-se, cólicas menstruais intensas, dores nas relações sexuais e dor na região pélvica.

Assim como ocorre em todas as demais doenças crônicas, o diagnóstico precoce é essencial, pois possibilita uma intervenção mais rápida. Isso proporciona o controle do avanço das lesões, e a retomada da qualidade de vida da paciente que sofre com sintomas.

Infelizmente, este processo não é realidade para muitas mulheres. Pesquisas revelam que elas aguardam, em média, de 07 a 10 anos para terem acesso a definição da doença e aos tratamentos adequados. Dentre os principais motivos para este problema, está a necessidade de exames específicos feitos por médicos especialistas, e o fato de ser uma doença com sintomas e conseqüências tão variados.

Endometriose x Infertilidade

Estima-se que 50% das mulheres acometidas enfrentam dificuldades para gestar filhos. A infertilidade não está presente em todos os casos, havendo, inclusive, relatos de pacientes assintomáticas.

Os impactos da doença sobre o sistema reprodutor podem estar ligados diretamente ao avanço das lesões. Estas, podem se infiltrar entre o reto e a vagina, pode também haver implante nos ovários e na cavidade pélvica.

O número de implantes e grau de infiltração da doença é determinante de sua gravidade. Dependendo da severidade da endometriose, idade e reserva ovariana, direciona-se o tratamento da endometriose, podendo ser clínico ou cirúrgico.

Além disso, o uso constante de métodos contraceptivos hormonais – especialmente a pílula e o Dispositivo Intra-Uterino (DIU) – é um dos principais tratamentos adotados. Este tratamento proporciona a “estagnação” das lesões na maior parte dos casos, e também a ausência da menstruação, o que, conseqüentemente, reduz um dos sintomas mais severos da doença, as cólicas menstruais intensas. Esta questão impede muitas mulheres de iniciarem as tentativas de gestação de maneira natural, visto que não podem permanecer períodos longos sem uso das substâncias.

Maternidade x Endometriose

Há muitos mitos envolvendo a temática “Maternidade x Endometriose”. Um dos principais é a afirmação de que a gestação cura as pacientes. Este mito é reflexo de outro equívoco que está relacionado ao fato das pessoas acreditarem que todas as mulheres acometidas pela patologia sofrem com problemas de reprodução. Por este motivo, a presença da gestação era – e até hoje é por muitos – entendida como sinal de que as lesões não estavam mais presentes no organismo daquela gestante.

Outro ponto que colabora para este mito é a diminuição dos sintomas verificados durante a gravidez. Isso ocorre, entre outros fatores, pois há alterações hormonais e, principalmente suspensão da menstruação neste período, ou seja, interrupção das cólicas menstruais, principal queixa.

Infelizmente, trata-se apenas de mitos, já que a doença ainda não tem cura definida pela medicina. Apesar disso, os tratamentos possibilitam a retomada da qualidade de vida, e, em muitos casos, a solução dos entraves para a geração de filhos. Como é o caso das intervenções cirúrgicas realizadas por equipe médica com experiência, que proporcionam desobstrução dos órgãos e/ou indicação de técnicas de reprodução assistida.

Como a reprodução assistida contribui para a paciente com Endometriose

As técnicas de reprodução assistida podem auxiliar os casais que convivem com a endometriose de diversas maneiras. Esta intervenção da medicina reprodutiva varia conforme cada caso e é realizada em parceria com o ginecologista clínico que acompanha a paciente. Após a investigação do quadro, são analisadas as possibilidades, definidas a partir dos comprometimentos provocados pelas lesões e/ou por tratamentos anteriores.

Uma das possibilidades é a adoção da técnica de congelamento de óvulos, procedimento que pode ser, inclusive, indicado antes mesmo da realização de cirurgias com elevada probabilidade de comprometer os ovários.

Outra opção é indicada quando não há este cuidado de preservação do material genético de maneira preventiva. Trata-se da gestação através da Ovorecepção. Ou seja, quando a paciente já apresenta prejuízos na sua reserva ovariana. Em decorrência de tratamentos ou de complicações naturais provocadas por lesões localizadas nos ovários, e demanda a recepção de óvulos possibilitada pela doação de outra mulher.

O tratamento no Brasil

Este procedimento é legal no Brasil e, embora o bebê não seja originário de seu sistema reprodutor, a gestante torna-se a mãe, e a doadora não tem nenhum direito ou dever relacionados à criança.

Dentre as regras brasileiras para adoção da técnica, está também a obrigatoriedade de realização de testes para verificar a qualidade do material, e a manutenção do anonimato entre doadoras e receptores. Portanto, não pode ser feita entre pessoas com vínculos sociais ou familiares. Também é vetado no país, qualquer tipo de comercialização no processo, que deve ser feito de maneira voluntária pela doadora.

A medicina reprodutiva também contribui nos casos em que há retirada do útero das pacientes com endometriose, quando a única técnica possível é o “útero por substituição”, conhecida popularmente por “barriga solidária”. Essa situação na qual uma mulher gera em seu ventre um feto fecundado em laboratório a partir do material genético de outras pessoas, que serão pais do bebê, na maioria das vezes.

Neste contexto, as regras no Brasil são diferentes da ovorecepção, e limitam o procedimento à familiares com grau de parentesco de até 4° grau, podendo ser descendentes ou ascendentes. As normas sobre ausência de relação comercial, e definição dos direitos e deveres relacionados à criança permanecem as mesmas.

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