dezembro 10, 2021

O que é a Hiperêmese gravídica e o tratamento

Comitê Editorial IVI Salvador

A mulher experimenta várias mudanças no seu corpo e comportamentos durante a gravidez; e também estão vulneráveis a alguns problemas que podem surgir. Uma das principais dúvidas é o que é a hiperêmese gravídica e o tratamento.

O nome pode até assustar. Mas, a explicação sobre isso é bem simples. A hiperêmese gravídica é a ocorrência de vômitos incontroláveis durante a gestação. São situações de vômitos tão intensos e constantes que podem resultar inclusive em desidratação, perda ponderal e até mesmo cetose.

“Vômitos podem acontecer durante a gestação. É considerado normal, visto que o corpo da mulher está em adaptação, em ajustes hormonais e cheio de novidades. Mas quando esse vômito chega com constância e intensidade muito fortes, devemos ligar o alerta. Até porque a consequência pode ser séria, se a paciente chegar ao limite de desidratar e prejudicar o bebê”, explica o médico do IVI Salvador, Dr. Fábio Vilela.

O diagnóstico da Hiperêmese gravídica

O que é hiperêmese gravídica você já sabe. Um problema com nome complexo mas simples de explicar. Mas como a mulher pode distinguir dentro dos processos de enjoos e vômitos provocados pela gravidez, que realmente tem a doença?

A gravidez geralmente causa sintomas como azia, náuseas e vômitos. A causa deles parece ser a rápida elevação dos níveis de estrogênios no corpo ou da subunidade beta da gonadotrofina coriônica humana (beta-hCG).

Os vômitos normalmente se desenvolvem em aproximadamente 5 semanas de gestação, com picos em aproximadamente 9 semanas, e desaparecem com cerca de 16 a 18 semanas.

Eles geralmente ocorrem pela manhã (por isso, sua ocorrência se apelida de “doença matinal”), embora possam ocorrer em qualquer horário do dia. As mulheres com doença matinal continuam a ganhar peso e não se tornam desidratadas.

Já no caso da hiperêmese gravídica, ocorre uma forma extrema de náuseas e vômitos durante a gestação. O diagnóstico é realizado clinicamente. Feito pela aferição de cetona urinária, eletrólitos séricos e função renal. Isso porque a doença tem algumas características específicas, como citamos.

Pode ser diferenciada por causar a perda ponderal (de algo acima de 5% do peso da mulher), causa desidratação e cetose. Os médicos suspeitam da doença com base nos sintomas que a mulher apresenta.

Por exemplo: início, duração e frequência dos vômitos. Medições seriais do peso podem ser usadas para dar suporte ao diagnóstico.

Se houver suspeita de hiperêmese gravídica, os médicos podem também solicitar uma ultrassonografia obstétrica, para excluir a possibilidade de mola hidatiforme e gestação múltipla.

O que pode confundir o diagnóstico

Existem outros distúrbios que podem causar vômitos e precisam ser excluídos numa investigação de possível hiperêmese gravídica.

Gastroenterite, hepatite, apendicite, colecistite, outros distúrbios do trato biliar, úlcera péptica, obstrução intestinal, hipertireoidismo causado por doença grave, doença trofoblástica gestacional, nefrolitíase, pielonefrite, cetoacidose ou gastroparesia diabética, hipertensão intracraniana benigna e enxaqueca. Todos precisam ser analisados e descartados antes do diagnóstico final.

“São realmente muitas as causas que podem levar uma mulher grávida a enjoar e vomitar. É importante se assegurar de que outros fatores não possam estar provocando esse quadro, antes de fechar o diagnóstico”, comenta a especialista.

Realiza-se testes para esses distúrbios com base na avaliação clínica, mas também em exames laboratoriais e ultrassonográficos.

As consequências da Hiperêmese gravídica

Além das consequências gerais para a saúde da mulher e do bebê – por provocar a perda de peso, a desidratação e a cetose, que por si só já prejudicam muito a gestação; a hiperêmese gravídica pode causar hipertireoidismo leve transitório.

A doença quando persistir após o período entre 16 e 18 semanas é mais incomum, mas se verificada, pode também danificar seriamente o fígado, causando necrose centrolobular ou degeneração gordurosa generalizada, além de encefalopatia de Wernicke ou ruptura esofágica.

“Essas são consequências mais raras. De modo geral, a doença é registrada em sua forma mais usual e branda, que ainda assim é preocupante por desidratar e mexer nos índices de vitaminas e eletrólitos da mulher. Sabemos que numa gravidez, é muito mais importante que a mulher mantenha seu corpo equilibrado em relação aos nutrientes, pois o bebê depende desse equilíbrio para retirar a sua alimentação e proporcionar seu crescimento”, explica o médico.

O tratamento 

O tratamento da hiperêmese gravídica começa com a suspensão temporária da ingestão oral e administração de líquidos.

Em primeiro lugar, não administra-se nada pela boca para as pacientes. O tratamento inicial é medicamentoso, normalmente venal, visando equilibrar a perda dos nutrientes com o excesso de vômitos e tentando evitar que continue perdendo peso.

Um dos objetivos nessa fase também é equilibrar a produção de urina.

Ainda nessa etapa medicamentosa, é importante tratar as deficiências eletrolíticas (potássio, magnésio, fósforo).

Em seguida, os médicos recomendam a retomada gradual dos líquidos, tiamina, multivitamínicos e eletrólitos, conforme a necessidade da paciente.

Os vômitos que persistem após o líquido inicial e a reposição eletrolítica trata-se com a administração de remédios.

As pacientes que não conseguirem tolerar líquidos orais após a reidratação intravenosa podem necessitar de manutenção da internação ou terapia em casa e nenhuma administração oral por longos períodos. Em alguns casos, até por mais de um dia.

À medida em que as pacientes passam a tolerar líquidos, podem iniciar a ingestão de pequenas quantidades de alimentos e refeições brandas, expandindo-se a dieta à medida que é tolerada.

A terapia com vitaminas intravenosas é necessária inicialmente, até que possam ser por via oral.

Se o tratamento ainda assim for ineficaz, pode-se tentar corticoides. Nos casos extremos, a nutrição parental total (NPT) tem sido utilizada, embora seu uso geralmente seja desencorajado.

“Cada caso é um caso e cada mulher vai reagir de uma forma particular ao tratamento. O principal é, assim que diagnosticar, equilibrar os nutrientes do corpo dessa gestante, de modo a manter a saúde dela e do bebê também. É comum que após essa fase de tratamento da desidratação e da reposição dos nutrientes, muitas pacientes consigam em curto prazo voltar a ingerir líquidos e seguir sua vida. O que é preciso é observar se esse quadro vai ser recorrente”, conta o médico.

 

 

 

 

 

 

 

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