agosto 13, 2020

A sexualidade dos casais que estão em tratamento de reprodução assistida

sexualidade

Comitê Editorial IVI Salvador

A sexualidade é um dos aspectos centrais da vida do ser humano. Envolve identidade, erotismo, prazer, intimidade, reprodução e orientação sexual. É experimentada e expressada através de pensamentos, fantasias, desejos, atitudes, valores, comportamentos e relacionamentos.

No cotidiano, a sexualidade desempenha um papel muito importante, pois, vai além da reprodução e influencia a vida do casal e dos laços afetivos entre as pessoas. Podemos dizer que a sexualidade é construída na mente de cada pessoa e das experiências que ela vivencia. O sexo se torna a expressão de um sentimento compartilhado entre um homem e uma mulher, unindo o casal.

Esse assunto é muito importante quando falamos da sexualidade de casais com problemas de infertilidade e que está em tratamento de reprodução assistida. Pois, sabemos que a sexualidade desses casais pode ser afetada por medo, angústias e sentimento de vulnerabilidade. Tudo isso por não ter conseguido alcançar a gravidez de forma natural.

Problemas sexuais que causam infertilidade

Existem problemas sexuais que não permitem a concepção, causando a infertilidade. Em uma pequena parte dos casais há a existência de disfunção sexual que pode ser associada a dificuldade de engravidar. Por exemplo: falta de desejo sexual pelo parceiro (a), poucas relações sexuais, vaginismo, disfunção erétil, etc.

Nessas situações são indicadas também um acompanhamento psicológico, além do tratamento com um especialista, que normalmente é um ginecologista, urologista ou angiologista. Também pode ser feito acompanhamento com um terapeuta sexual ou sexólogo.

O casal precisa cuidar da sexualidade

Os casais que precisam recorrer à reprodução assistida para ter filho vivenciam vários acontecimentos e muitas vezes uma longa jornada. Ter um médico participando da intimidade do casal pode não ser fácil e pode afetar a sexualidade de ambos.

O especialista que acompanha o casal determinará, por exemplo, quando deverão ou não ocorrer as relações sexuais, que exames precisarão ser feitos, além de precisar saber com detalhes como é a rotina sexual do casal. E quando a reprodução ou o desejo de ter um filho passa a ser a único objetivo das relações sexuais do casal, pode gerar distanciamento, falta de apoio de um dos lados, etc.

Por isso, é necessário cuidar da sexualidade. O casal não deve deixar que o tratamento de reprodução assistida tenha influência na sua intimidade. Várias atitudes podem ser tomadas para o casal se reconectar. Conversar mais, se tornarem mais parceiros, ter mais momentos a dois, como ver um bom filme enquanto jantam ou tomam uma taça de vinho.

Sair da rotina propicia maior conexão entre o casal. Serve para apimentar a relação e promover um desejo maior, favorecendo o sexo e consequentemente, o relaxamento.

Sexo relaxa, faz bem à saúde e também melhora o psicológico. Esses fatores inclusive aumentam a chance de concepção, já que o estresse e a tensão exacerbados podem trazer como consequência a dificuldade de engravidar, mesmo com as técnicas de reprodução assistida.

Como apimentar a relação e aflorar a sexualidade

Aproveitar a companhia um do outro é necessário para que o casal perceba alguns detalhes que, de repente, na correria do dia a dia e com os anos de relacionamento, ficam um pouco esquecidos. É uma oportunidade especial ainda para aqueles homens e mulheres que vivem tempos de tensão e de crise.

Redescobrir ou reinventar a sexualidade sugere experimentar, estar disposto e se conhecer. Os casais estão passando pelo tratamento de reprodução assistida precisam ter uma intimidade mais profunda, uma nova percepção da sexualidade. É fundamental que tenham tempo um para o outro e divirta-se sem pressão para alcançar a gravidez.

  • Planejem “momentos” especiais na hora do sexo mesmo em dias não férteis;
  • Nos dias em que não deve ter relações não precisam ser dias sem sexo. Lembre que o sexo não é apenas a penetração, outras atividades sexuais, como carícias, podem ser realizadas;
  • Nos dias em que você “deve” ter relações sexuais, tente criar um ambiente adequado para os dois estarem de bom humor e não existirem interferências externas;
  • Dedique tempo às atividades e interesses de quando eram mais jovens e faziam sexo em lugares diferentes. Tente “brincar” como no início do relacionamento;
  • Tenha relações em horários diferentes. Não deixe apenas para a noite, quando chegam do trabalho, mude a rotina. Essa mudança pode ser benéfica para o relacionamento e promover um ambiente agradável e sugestivo.
  • Use a fantasia para atingir o clima que precisa. Lembre-se de que seu parceiro não deve sentir como um “dispensador” de sêmen, nem você como um “recipiente” de um óvulo a ser fertilizado.
  • Evite sentimentos de culpa em dias em que a relação sexual não for possível. Não insista se você se sente mal ou não consegue.

Sexualidade vai além do sexo

Na vida diária, a sexualidade cumpre um papel muito importante. Ela passeia desde o ponto de vista emocional, afetivo e social. Vai além da finalidade reprodutiva e termina comprometendo toda a vida do casal e da família, gerando laços afetivos interpessoais.

A intimidade física está diretamente relacionada à intimidade emocional. Quando estamos distantes, temos o desejo provado pela distância e pela falta. Mas, quando passamos o dia juntos, isso pode mudar.

No convívio diário mostramos nossos defeitos e qualidades. É importante criar oportunidade de redescobrirem a sexualidade como casal também por meio de atividades totalmente desligadas do sexo.

Cozinhar juntos, tomar um banho juntos, fazer coisas em que um colabora com o outro nas atividades do dia a dia. São ações fundamentais para estreitar a relação, aumentar a admiração com o outro, aumentar o desejo e manter a sexualidade em alta.

Tudo isso facilita muito a aproximação do casal, o que pode levar também a uma relação sexual muito mais intensa. Esse conceito é o da “sexualidade além do sexo”; afinal a sexualidade envolve um conjunto de fatores emocionais e psicológicos.

O assunto é muito vasto e interessante. E, pensando nisso, faremos uma LIVE em nosso Instagram na próxima sexta, dia 14 de agosto, às 13 horas, com a sexóloga Cris Arcuri. Cris é educadora sexual. Não perca!

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