abril 4, 2017

Trombofilia e a gravidez

A trombofilia é uma propensão a desenvolver trombose devido a determinados transtornos de coagulação do sangue. Pode ser adquirida ou hereditária. Ser portador não significa estar doente e tão pouco que irá sofrer abortos, apesar de que padecer de trombofilia pode em alguns casos levar episódios de abortos de repetição e complicações durante a gravidez. Mulheres com histórico de trombose precisam de cuidados especiais durante a gravidez para garantir a saúde do bebê.

Fontes médicas estimam que entre 10 a 15% das mulheres sofrem um aborto espontâneo por diferentes causas. A repetição do aborto é muito menos frequente, afeta entre 3 e 5% das mulheres (2 abortos) e menos de 1% (três abortos consecutivos).

Grupo de risco de aborto

O risco de sofrer um aborto espontâneo é maior entre as mulheres com dois casos de abortos anteriores à décima semana de gestação ou um aborto espontâneo após a décima semana. Casos de pré-eclâmpsia e eclâmpsia também são fatores de risco para as perdas gestacionais, assim como entram no grupo de risco mulheres com antecedentes de trombose da paciente e na família e casais que possuem algum fator genético ligado à infertilidade.

A trombofilia em ocasiões é estudada por exclusão, quando outros estudos sobre a causa de aborto não foram conclusivos.

Qual é o médico indicado para fazer o estudo da trombofilia?

A trombofilia é detectada com a ajuda de um hematologista, que baseado em uma avaliação dos antecedentes de aborto e histórico da família irá solicitar exames para a confirmação do diagnóstico.

Por que a trombofilia é um risco para a gravidez?

Quando a trombofilia leva à hipercoagulação do sangue, pode provocar o entupimento das veias ou artérias devido ao aumento da densidade do sangue, que fica mais espesso. Esta obstrução pode provocar problemas de circulação do sangue tanto nas veias da mãe quanto no sangue que chega à placenta, tendo como possíveis consequências:

– Redução do crescimento fetal devido à dificuldade de receber os nutrientes

– Deslocamento da placenta

– Pré-eclâmpsia

– Aborto

– Parto prematuro

Como prevenir o aborto em caso de trombofilia?

Cada caso de trombofilia deve ser tratado de forma personalizada com medicamentos a partir do momento em que a gravidez é confirmada com o objetivo de evitar riscos para a mãe e o bebê. Durante a gestação, a futura mãe deve ser acompanhada por um hematologista.

Nem sempre um quadro de hipercoagulação do sangue irá trazer consequências para a gravidez, mas em todos os casos o acompanhamento deve ser rigoroso.

A causa mais comum de aborto espontâneo é genética

Quando os abortos acontecem antes da décima semana de gestação, a causa mais provável da perda gestacional são as alterações cromossômicas esporádicas que impedem o desenvolvimento correto do embrião. Realizar o teste genético POC a partir de uma mostra do tecido fetal abortado é a medida ideal para identificar se houve uma causa genética relacionada à perda e se esta causa foi pontual ou pode se repetir. No entanto, em muitas ocasiões a paciente e equipe médica que auxilia no processo de expulsão natural ou por curetagem não está orientada para realizar a coleta de material para a análise laboratorial.

O risco de sofrer uma segunda perda em uma gestação futura é aproximadamente entre 10-15%, podendo ser superior de acordo com a idade materna ou em caso de alterações no cariótipo do casal.

Muitos casais em tratamento de reprodução humana que querem evitar as causas genéticas do aborto recorrem ao screening genético pré-implantacional (PGS), que é o estudo genético do embrião para detectar eventuais alterações cromossômicas que podem provocar falhas de implantação após a transferência do embrião ao útero materno, aborto ou nascimento de bebê com doenças graves. Vale reforçar que o estudo genético do embrião não está relacionado nem evita complicações ligadas à trombofilia.

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