Planejar e realizar uma Fertilização in Vitro (FIV) para alcançar o nascimento de um bebê saudável é um processo que deve ser individualizado, já que cada paciente é único.
Cada detalhe importa nessa jornada. Por exemplo, o sistema de cultura onde o embrião se desenvolve, que proporciona proteção e fornece os nutrientes corretos, é um pré-requisito para a viabilidade embrionária e um resultado bem-sucedido na reprodução assistida.
Embriões cultivados em um ambiente seguro, sem perturbação, avaliados e selecionados como ideais para a transferência, devem estar em harmonia com um endométrio saudável e receptivo, onde os protocolos de transferência são otimizados para aumentar as chances de gravidez.
Além disso, a genética do embrião é fundamental. Esses fatores são determinantes para o sucesso reprodutivo. “O sucesso da implantação embrionária depende da combinação entre um embrião saudável, um endométrio receptivo e o momento ideal para a transferência”, diz o médico do IVI Salvador, Dr. Fabio Vilela.
Como acontece a implantação do embrião FIV?
A Fertilização in Vitro é uma das principais técnicas utilizadas para tratar a infertilidade. Após a coleta dos óvulos e espermatozoides e a fecundação em laboratório, os embriões são avaliados e os de melhor qualidade são selecionados para transferência ao útero.
Entretanto, não basta apenas escolher um bom embrião. É necessário avaliar a chamada janela de implantação, período em que o endométrio está preparado para receber o embrião. Para isso, o ciclo menstrual é reproduzido por meio de medicamentos, garantindo que a transferência aconteça no momento ideal.
Quando a transferência é realizada com embriões de três dias (D3), o endométrio deve estar exposto à progesterona por três dias. Já para embriões de cinco dias (blastocistos), são necessários cinco dias de exposição ao hormônio. O procedimento é simples, realizado por meio de um cateter e, na maioria dos casos, não requer anestesia.
O que pode impedir a implantação do embrião FIV
A implantação pode falhar por fatores relacionados tanto ao embrião quanto ao endométrio. Entre as principais causas está a baixa qualidade embrionária, geralmente associada a alterações cromossômicas.
Atualmente, exames genéticos como o PGT permitem identificar embriões cromossomicamente normais, aumentando as chances de implantação e de uma gravidez saudável.
Outro aspecto importante é a receptividade endometrial. Diversas condições podem dificultar esse processo, como alterações hormonais, espessura inadequada do endométrio, miomas, pólipos, malformações uterinas, endometriose, trombofilias e endometrites.
Como ajudar na implantação do embrião FIV
A adoção de hábitos saudáveis é uma das principais formas de favorecer a implantação embrionária. Alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos e controle do peso corporal contribuem para melhorar a qualidade dos gametas, do embrião e do endométrio.
Além disso, vitaminas e minerais podem ser recomendados por especialistas. Entre os nutrientes mais indicados para as mulheres estão ácidos fólicos e vitaminas C, D, A, B6 e B12. Já para os homens, zinco e vitaminas C, D e E ajudam a promover a saúde reprodutiva.
Uma alimentação anti-inflamatória e rica em antioxidantes também é considerada benéfica para a fertilidade. Por outro lado, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, açúcar, cafeína e carne vermelha deve ser evitado.
Alimentos para ajudar na implantação do embrião FIV
Uma dieta equilibrada pode contribuir significativamente para o sucesso da gravidez, seja ela espontânea ou por meio da FIV. Entre os alimentos frequentemente recomendados estão o abacaxi, fonte de bromelina, substância que favorece a circulação sanguínea; bebidas isotônicas naturais, como água de coco e soro caseiro, que auxiliam na hidratação; e a clara de ovo, rica em proteínas.
O inhame também é conhecido por ajudar no equilíbrio hormonal e na preparação do endométrio. Frutas cítricas, como laranja, acerola, kiwi, morango e maracujá, fornecem vitamina C, importante no combate aos radicais livres.
Castanhas, nozes, sementes de chia, linhaça e gergelim oferecem vitaminas e minerais antioxidantes. Já os peixes, ricos em ômega 3, podem beneficiar tanto a fertilidade feminina quanto a masculina.
Alimentos ricos em zinco, como ostras, carnes, peixes e sementes de abóbora, são especialmente importantes para a saúde reprodutiva masculina. Além disso, frutas vermelhas, tomate, cenoura, uva e maracujá fornecem compostos bioativos que fortalecem a capacidade antioxidante do organismo.
Atividades físicas para ajudar na implantação do embrião FIV
A prática regular de exercícios físicos traz benefícios que vão além da fertilidade. Ela contribui para a redução do colesterol, controle da pressão arterial e prevenção de doenças como diabetes, obesidade e problemas cardiovasculares.
Além disso, a atividade física ajuda a reduzir ansiedade e estresse, melhora a qualidade do sono e auxilia no controle dos níveis de insulina, fator importante para a ovulação.
Manter um peso saudável é um dos pilares da saúde reprodutiva. Por isso, especialistas recomendam que homens e mulheres iniciem mudanças no estilo de vida com antecedência ao tratamento, adotando hábitos como caminhadas regulares e alimentação balanceada.
Como ajudar na implantação do embrião FIV com a Reprodução Assistida
Embora os hábitos saudáveis sejam fundamentais, em alguns casos eles não são suficientes para garantir a implantação embrionária. Nesses cenários, a Reprodução Assistida oferece recursos capazes de aumentar as chances de sucesso.
Quando existem falhas de receptividade endometrial, os embriões podem ser congelados após a fecundação e transferidos apenas quando o endométrio estiver adequadamente preparado. Além disso, exames como o Teste ERA ajudam a identificar a janela de implantação individual de cada paciente, indicando o melhor momento para a transferência.
Outro recurso importante é a análise genética embrionária. Embriões com alterações cromossômicas apresentam maior risco de falha de implantação, aborto espontâneo ou doenças genéticas. A avaliação genética permite selecionar os embriões com maior potencial de desenvolvimento saudável.
O que não fazer antes da FIV
Assim como existem hábitos que favorecem a implantação, alguns comportamentos podem comprometer os resultados do tratamento. O consumo excessivo de carboidratos refinados, alimentos ultraprocessados e gorduras industrializadas pode prejudicar a fertilidade por favorecer alterações hormonais e metabólicas.
O cigarro é considerado um dos principais inimigos da saúde reprodutiva. Suas substâncias tóxicas afetam a qualidade dos espermatozoides, aumentam a fragmentação do DNA e comprometem o desenvolvimento embrionário e a receptividade endometrial. Estudos indicam redução significativa da fertilidade entre mulheres fumantes. O uso de drogas ilícitas também interfere nos hormônios responsáveis pelo funcionamento adequado do sistema reprodutor, prejudicando homens e mulheres.
Já o consumo excessivo de álcool está associado a maiores índices de infertilidade. Mulheres que ingerem três ou mais doses alcoólicas por dia apresentam risco significativamente maior de dificuldade para engravidar.
A cafeína merece atenção especial. Embora o consumo moderado não demonstre impacto relevante na fertilidade, a ingestão elevada pode estar relacionada à redução da fertilidade feminina e ao aumento do risco de aborto durante a gestação.
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