Antes de tentar engravidar, muitas mulheres nem sabem que precisam de um endométrio mais espesso e receptivo para que o embrião se implante, mas quando as tentantes entram no mundo dos tratamentos é comum que a espessura do endométrio vire assunto recorrente.
Descobrir que o endométrio está fino pode gerar angústia, mas é importante entender cada caso com tranquilidade e informação. Ter o endométrio fino pode dificultar a gravidez, pois o embrião irá se desenvolver a partir dos substratos desta camada interna do útero, considerada a mais importante para a reprodução.
Nesse sentido, quanto mais fino for o endométrio, mais dificuldade a paciente vai ter para engravidar. A atrofia no tecido endometrial pode ser um problema.
Felizmente, o tratamento para esse tipo de anomalia é muito acessível e, na maioria das vezes, proporciona bons resultados, devolvendo à mulher a capacidade de engravidar.
A função do endométrio
O endométrio é um tecido rico em vasos sanguíneos e glândulas especializadas, que reveste a parede interna do útero. Esses vasos são formados e destruídos periodicamente no ciclo menstrual, de acordo com as alterações hormonais de cada mulher.
A sua função é acolher e nutrir o embrião nos estágios iniciais da gravidez. Assim, esse tecido oferece as condições necessárias para a implantação e nutrição do óvulo fecundado até a formação da placenta, permitindo o transporte de nutrientes e oxigênio entre mãe e feto.
É por isso que, quando não há fecundação, toda a camada funcional do endométrio é expelida. E, consequentemente, tem início o processo de menstruação.
Um endométrio com espessura adequada deve ter, no mínimo, 7 milímetros e, no máximo, de 12 a 14 milímetros (durante a ovulação). Essas condições melhoram a receptividade do embrião, aumentando a capacidade de engravidar.
O que pode afinar o endométrio?
“A espessura do revestimento uterino varia ao longo do ciclo menstrual. É mais fino durante a fase folicular inicial e engrossa na fase posterior, preparando-se para a implantação do óvulo. A espessura endometrial normal, propícia à gravidez, é de 8 mm ou mais. As chances de gravidez diminuem quando a espessura é inferior a 6 mm”, explica o médico Agnaldo Viana, do IVI Salvador.
Danos ao revestimento uterino podem ocorrer por diversos motivos. Por isso, identificar a causa do afinamento é importante para normalizar a espessura do revestimento endometrial e torná-lo adequado para a gravidez.
A principal causa do afinamento é o uso prolongado de anticoncepcionais. Por isso, antes de planejar uma gravidez, é importante que a mulher fique, pelo menos, três meses sem o uso desse tipo de contraceptivo.
A causa mais comum é o desequilíbrio hormonal, especificamente os baixos níveis de estrogênio. A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) também pode levar a um endométrio fino devido aos altos níveis de androgênio.
Outras causas de endométrio fino incluem doenças autoimunes, falta de nutrição adequada, ISTs e outras infecções, além do uso de certos contraceptivos orais.
A idade afeta a produção hormonal, com os níveis de estrogênio diminuindo à medida que passa. Os vasos sanguíneos do endométrio perdem a flexibilidade e não cicatrizam bem com a idade, o que acaba levando ao afinamento do revestimento. A espessura do endométrio depende do fluxo sanguíneo e problemas nos vasos sanguíneos ou na circulação podem levar ao seu afinamento.
Sintomas de um endométrio fino
Os sinais comuns de um endométrio fino incluem menstruação leve ou irregular. Se você notar que suas menstruações estão mais leves ou irregulares do que antes, consulte um médico o mais rápido possível.
A dificuldade para engravidar também é um sintoma de endométrio fino, já que ele não consegue sustentar a implantação do óvulo, ou pode ocorrer aborto espontâneo devido ao revestimento uterino fino.
A espessura do endométrio é geralmente avaliada por meio de ultrassonografia transvaginal. Outros exames diagnósticos incluem a sonohisterografia, que utiliza uma infusão salina para criar uma imagem da cavidade uterina, e a histeroscopia, na qual um tubo fino é inserido no útero através do colo do útero para visualizar o endométrio.
Qual o tratamento para o endométrio fino?
Se existe o desejo de formar uma família, uma boa maneira de se preparar é fazer mudanças saudáveis no estilo de vida. Isso pode melhorar a saúde do seu sistema reprodutivo, incluindo o útero.
No entanto, se o médico diagnosticar que você não possui a espessura endometrial normal para uma gravidez bem-sucedida, existem diversas opções de tratamento disponíveis para o endométrio fino.
Terapia hormonal com estrogênio e progesterona podem ser prescritos para engrossar o endométrio. Ou plasma rico em plaquetas (PRP), um fluido rico em fatores de crescimento, que pode ser infundido no útero para melhorar a espessura do endométrio. Ou ainda a raspagem endometrial, um procedimento simples que consiste em arranhar levemente o revestimento endometrial para estimular o crescimento.
Garantir uma dieta rica em frutas frescas, vegetais e grãos integrais pode ajudar. Você também pode incluir alimentos ricos em ferro, como beterraba, espinafre, feijão e sementes de abóbora. Sabe-se que a L-arginina e a vitamina E melhoram a espessura do revestimento uterino. Você pode considerar outros suplementos nutricionais para garantir a ingestão das vitaminas e minerais necessários. Tudo, entretanto, com acompanhamento de especialistas.
Aumentar a atividade física por meio de exercícios regulares pode melhorar a circulação sanguínea e engrossar o revestimento. O estresse pode afetar os níveis hormonais e afinar o endométrio, por isso é importante descansar o suficiente.
Como descobrir
O diagnóstico pode ser feito por meio de um exame de ultrassom transvaginal, realizado durante o período fértil.
Para que a ovulação aconteça, é preciso que o endométrio se encontre com três camadas e tenha, no mínimo, 8 milímetros de espessura. Cerca de 4 dias após a ovulação, o endométrio atinge sua maior espessura.
E cerca de 6 dias depois da fecundação, ele se encontra na condição ideal para a implantação do óvulo fecundado.
Por que é preciso consultar um especialista?
Mesmo que a gestação ocorra sem qualquer tratamento, o endométrio fino pode trazer riscos para a mamãe e o bebê. Isso porque, mulheres com essa condição têm maior tendência à implantação anormal da placenta (condição chamada de placenta acreta), deslocamento placentário, pré-eclâmpsia, entre outros problemas. Já os bebês podem ter tamanho abaixo do esperado para a idade gestacional ou nascerem prematuros.
Caso tenha suspeita sobre o endométrio fino, é importante buscar ajuda especializada. Com o parecer de profissionais de confiança e especializados em saúde reprodutiva, é possível realizar um diagnóstico de qualidade e, dessa maneira, direcionar a melhor forma de tratamento.
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