janeiro 7, 2021

A pandemia e a maternidade

A pandemia e a maternidade

Comitê Editorial IVI Salvador

O ano de 2020 foi marcado pela pandemia provocada pelo novo coronavírus. O COVID-19 pegou o mundo totalmente desprevenido. Também colocou a vida de muita gente em modo de espera. E para as mulheres que estavam tentando engravidar, o momento foi de incertezas e angustia. Sem saber se deveriam continuar ou pausar momentaneamente os planos.

No começo tudo era muito incerto. Não haviam relatos de abortos, malformação ou transmissão vertical por conta do vírus em grávidas na reta final. Mas, e as que estavam no início da gestação? Ou seja, tudo poderia acontecer, e as informações poderiam mudar.

Nos EUA, a Associação Americana de Medicina Reprodutiva suspendeu de imediato novos tratamentos de reprodução assistida. E quem já estava em tratamento seguiu até o momento da punção.

Depois, os casos foram analisados individualmente. Mulheres com baixa reserva ovariana, pacientes oncológicas, e mulheres acima de 38 anos se tornaram exceção e puderam dar continuidade ao projeto de engravidar. Contudo, de um modo geral, a pandemia trouxe danos à saúde mental das tentantes.

Como a pandemia atrapalhou a vida das tentantes

Ter um filho é o sonho de muitos casais. A chegada de um novo integrante sempre é sinônimo de alegria. É um momento de muita expectativa. E quando a notícia de uma gravidez pode demorar a chegar, traz consigo incertezas e inseguranças que prejudicam o psicológico, principalmente da mulher.

Quem estava planejando isso há tempos se deparou com um empecilho em 2020: a pandemia do novo coronavírus. A frustração e a incerteza de não saber quando poderia retomar os planos tomou conta da vida dos casais. E isso se tornou um fenômeno que se entendeu para a população. Gerando medo, preocupação e sintomas de ansiedade e depressão para muitas pessoas.

Cada um precisou desenvolver artifícios para lidar com a situação. Além de arrumar maneiras para viver bem dentro de casa. E aí, surgiram novas rotinas e se reinventou um jeito de fazer as coisas que se gosta. Quem tem um parceiro, procurou aproveitar os momentos a dois. E aprendeu a conviver com os pensamentos negativos que tendem a aparecer em um período conturbado como esse.

Mas nada disso conseguiu tirar a sensação de que a pandemia congelou o tempo. E as nossas vidas. Agora imagine para a mulher tentante e seu alto grau de ansiedade? E nesse momento, o dilema da maternidade atingiu uma parcela de casais que estavam vendo ali o seu sonho de ter um bebê desmoronar de vez.

O COVID-19 e a gestação

A pandemia trouxe diversas incógnitas. O vírus poderia afetar o feto ou o recém nascido? Cientistas passaram os primeiros meses discutindo a respeito, mas as respostas da medicina reprodutiva eram pouco conclusivas, afinal tudo era muito novo e desconhecido. Assim, as dúvidas acabaram levando ao desespero futuras mães.

Essas tentantes são mulheres que apresentam baixa reserva ovariana ou número reduzido de óvulos. Mulheres com diagnóstico de câncer, que precisariam realizar um tratamento de quimioterapia ou radioterapia, e com a necessidade de preservar a fertilidade. Assim como mulheres acima dos 40 anos, que apresentam maior risco de doenças genéticas. E até abortos.

Passado o susto inicial, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida ofereceram opções para que a pandemia não destruísse sonhos. Então, obedecendo todos os processos com um rigoroso protocolo de segurança, as clínicas disponibilizaram atendimento e realizaram procedimentos nos casos onde houvesse risco de perda ou privação de um futuro reprodutivo.

Após 11 meses de pandemia…

Passados onze meses de pandemia, o que foi percebido em relação a gravidez e aos tratamentos reprodutivos é que a mulher grávida tem o mesmo risco de complicações relacionadas à infecção pelo coronavírus como qualquer pessoa. A recomendação é, sem dúvida, cuidado e prevenção.

Após todo esse tempo de medo e indecisões, a mulher que desejar iniciar algum tratamento de fertilização, deve respeitar o isolamento social e tomar todos os cuidados como todo mundo. Caso o exame para Covid-19 der positivo, deve-se prorrogar o procedimento.

O mais importante é que os tratamentos para engravidar que seguiram todas as normas apresentadas pelas clínicas de fertilidade mostraram ser extremamente seguros e eficazes, e com altos índices de êxito.

Congelamento de óvulos e embriões cresceu na pandemia

O medo de engravidar em tempos de “novo normal” fez com que muitas mulheres procurassem preservar sua fertilidade através do congelamento de óvulos. Em outros casos, os casais optaram por fazer a fertilização, armazenar os embriões, e postergar a gravidez para um período que ofereça uma segurança “maior”.

A saúde reprodutiva acabou entrando na lista de prioridades de tratamento por se tratar de uma decisão relevante na constituição da família. Seja ela para o presente ou para o planejamento futuro.

Com o alvoroço global causado pela pandemia, muitas mulheres que estão próximo aos 40 anos, quiseram garantir a possibilidade de uma gravidez segura no futuro. Atitude natural para quem queria ter garantido um método de prevenção.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), não existe nenhuma evidencia de que o novo coronavírus pode causar infertilidade.

Mesmo assim, a procura por congelamento de óvulos e embriões cresceu em 2020.  Com o adiamento das gestações, a técnica seria uma forma de retardar o relógio biológico. E claro, amenizar a preocupação de não poder fazer nada, esperando a pandemia acabar.

Vale lembrar que para quem estava se preparando para passar por um tratamento oncológico ou cirurgias com grande potencial de ocasionar infertilidade posterior, a indicação do congelamento de óvulos também é uma alternativa para antes desses procedimentos.

Presente e Futuro

Desejar um filho e não conseguir. Ter sonhos e planos adiados por conta da pandemia do novo coronavírus. Desânimo, ansiedade e depressão. É comum esperar o pior de uma situação.

A pandemia ainda está presente e precisa se manter todos os cuidados. Mas existem recursos que podem ajudar muito. É hora de entender que 2021 chegou como um ano que renova expectativas. O novo ano traz aquela boa energia da virada. Pensar em 2020 como um ano que trouxe aprendizados, perceber o que esses aprendizados nos trouxeram e olhar para frente. Recolocar planos na prática e buscar aquilo que te faz bem!

Aproveite o início do ano para listar planos, metas. Converse com o seu médico para entender qual é o risco real, adote práticas meditativas, equilibre seu estilo de vida e, acima de tudo, converse com o seu parceiro. Ele é seu complemento para essa nova caminhada que se inicia.

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