março 2, 2021

O sangramento é normal durante a gravidez?

Comitê Editorial IVI Salvador

Quando relacionamos gravidez e sangramento já sentimos aquela preocupação natural. E apesar de ter sangramento ser algo normal durante a gravidez, ele sempre vem acompanhado de uma enorme e compreensível angústia. Além daquele primeiro pensamento de “será que estou tendo um aborto espontâneo?”.

“Quando a mulher está realizando algum tratamento de reprodução assistida, essa preocupação tende a ser ainda maior. Afinal de contas suas expectativas estão nas alturas. Junto com o medo do tratamento não dar certo. Mas, mesmo sendo motivo para buscar a ajuda do médico, o mais comum é que o sangramento não seja nada grave. Tanto para a mãe, quanto para o feto. Nos tratamentos de reprodução assistida podemos dizer que um bom percentual de pacientes tem sangramento. A maioria absoluta sem repercussão negativa” explica Dr. Agnaldo Viana, ginecologista do IVI Salvador.

Existem alguns casos onde o sangramento vaginal não tem relação com a gestação ou o bebê. Por conta disso que é extremamente importante observar sintomas, realizar exames físicos e ultrassonografia. Se o sangramento tiver muito volume e vier acompanhado de cólica ou uma dor intensa, é necessário buscar ajuda. Entrar em contato com o médico que acompanha a gravidez ou ir a um pronto atendimento hospitalar.

Um pequeno percentual dos sangramentos, infelizmente, pode acabar em abortos espontâneos. Após procurar um médico e realizar todos os exames necessários, o diagnóstico vai definir se o sangramento teve alguma relação com a gravidez. Se não passou de uma ameaça de aborto, ou se esse processo (aborto) é inevitável.

Quanto mais cedo a grávida buscar o tratamento da causa, melhor será para a saúde dela e também do bebê.

Causas mais frequentes de sangramento nos primeiros três meses de gestação

Nos três primeiros meses de gravidez o sangramento pode ocorrer por diferentes motivos. Mas nem sempre traz riscos ao bebê. O ato sexual ou o exame de toque podem provocar sangramentos leves. Isso por que ocorre o aumento do fluxo sanguíneo que circula na vagina e no colo do útero.

No primeiro mês, a própria implantação do embrião no útero (nidação) pode causar um pequeno sangramento. E isso até antes mesmo da gravidez ter sido confirmada! O movimento pode causar rompimento de alguns vasos sanguíneos, gerando um discreto sangramento por cerca de dois ou três dias. Surgem apenas traços de sangue na calcinha, nada abundante.

Outro motivo são algumas alterações uterinas como os pólipos que crescem no endométrio e no colo do útero. Além disso, miomas – tumores benignos dentro do útero – também podem causar algum sangramento.

Mulheres que fazem tratamento de fertilização in vitro também podem passar por sangramentos recorrentes. Essa técnica de reprodução assistida, que faz a transferência de embriões para o útero da paciente, pode provocar pequenos sangramentos no início da gravidez, decorrentes de embriões que não vingaram. Ou, pequenos descolamentos ovulares.

O uso de anticoagulantes e anti-agregantes plaquetários pode favorecer a ocorrência de pequenos sangramentos. Infecções indesejadas na vagina ou no colo do útero também são capazes de provocar sangramentos e exigem tratamento médico urgente, antes que tomem proporções maiores.

Normalmente consegue-se controlar…

Um tipo bem mais raro de ocorrer por deficiência hormonal, a progesterona é responsável por amadurecer o endométrio para a evolução da gravidez. Mas, algumas vezes o corpo não consegue produzir a quantidade ideal de hormônios para manter o endométrio firme no início da gravidez.

Porém, em mais de 80% dos casos são totalmente contornáveis, em todos os casos de reprodução assistida utiliza-se progesterona em altas doses para profilaxia dessa deficiência. Com uma medicação apropriada (para reposição de progesterona), e também com repouso total da gestante, consegue-se reverter o quadro.

Outro problema que pode provocar sangramento é a gravidez ectópica. O embrião implanta-se fora do útero, geralmente em uma das trompas.

Os sangramentos a partir do segundo trimestre

Sangramentos a partir do terceiro mês são menos comuns. Mas, após o quinto mês, eles podem ser sinal de um problema chamado placenta prévia. Isso acontece quando a placenta (responsável pela oxigenação e alimentação do feto) se fixa no lugar errado, normalmente perto do colo do útero, e não na parte média, como é o normal. Apesar de ser algo raro, traz complicações para a gravidez.

Quando a grávida chega ao sétimo mês, o risco passa a ser o deslocamento prematuro da placenta. Que pode provocar hemorragia. Gestantes com pressão alta são mais propensas ao problema. Os sintomas mais comuns são: sangue bem vermelho ou bem escuro, fortes cólicas e contrações persistentes. A situação é muito grave e deve-se tratar com urgência.

Já na reta final da gravidez, entre a 37ª e a 40ª semana de gestação, o sangramento pode ser sinal de trabalho de parto. Ou seja, um grande indício de que a grávida deve ir à maternidade ou ao consultório do médico para uma avaliação de possível parto eminente.

O que fazer quando acontecer um sangramento na gravidez

O sangramento na gravidez pode ser um sinal de um problema em qualquer trimestre. Por isso, se ocorrer, entre imediatamente em contato com seu médico pré-natalista. Manter o controle de quanto você está sangrando e registrar o tipo de sangue (rosa, marrom ou vermelho; liso ou cheia de coágulos) pode ajudar no diagnóstico.

De qualquer forma o sangramento deve ser diagnosticado e cuidado! Se você está grávida e houve qualquer sinal de sangramento, procure ajuda urgente. É de fundamental importância saber que grávida não menstrua. Deve-se investigar qualquer outro sangramento. Fique atenta a qualquer sinal!

Não use absorvente interno ou tenha relações sexuais enquanto estiver sangrando. Se você estiver enfrentando sintomas como dor ou cólicas intensas no baixo abdômen; hemorragia grave (com ou sem dor); corrimento vaginal sanguinolento que contém tecido; tonturas ou desmaios; e febre (38°C) ou calafrios; pode ser indício de um problema grave para sua gestação.

Por isso, é de extrema importância para a gestante e para o bebê realizar o acompanhamento de pré-natal com um médico da sua confiança.

 

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