novembro 13, 2019

Maternidade homoafetiva e o Método ROPA

Na sociedade atual, ainda existem muitos preconceitos, que aos poucos vão sendo trabalhados e vêm sendo minimizados. Ocasionalmente, quando acontece a maternidade homoafetiva, algumas pessoas ainda reagem com certo estranhamento. Mas é fundamental ressaltar que essa “nova” formatação de família é tão importante quanto qualquer outra formatação já existe. E que formatos cada dia mais diversos de núcleos familiares têm surgido.

É preciso quebrar os tabus e fazer com que as pessoas entendam que família exige somente amor. E justamente por isso, cada vez mais, casais de mulheres tem esboçado o desejo da maternidade. O tão almejado sonho de ser mãe pode acontecer de diversas formas. Duas alternativas são as mais utilizadas: a adoção e o tratamento de reprodução humana assistida.

Legalidade da maternidade para casais homoafetivos

Desde 2013 é possível, no Brasil, a efetivação do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Também é possível realizar a conversão da união estável entre casais homoafetivos em casamento. Coincide com esse mesmo ano, a publicação de uma importante resolução do Conselho Federal de Medicina. Ela liberou a reprodução assistida para casais do mesmo sexo.

Casais de mulheres, que optam pelo caminho da reprodução assistida, na maioria dos casos, são utilizados dois tipos de técnicas: a inseminação artificial e a fertilização in vitro, ambas com sêmen de um doador.

No entanto, os casais lésbicos têm mais uma opção, que oferece a ambas as mulheres, a possibilidade de serem mães do futuro bebê. É o Método ROPA.

O que é o método ROPA

O procedimento, que promove a maternidade compartilhada entre duas mulheres, é conhecido como Método ROPA. A sigla significa a expressão em inglês “Reception of Oocytes from Partner”. Traduzido para o português, quer dizer “Recepção de Óvulos da Parceira” ou “Maternidade Compartilhada”. A técnica permite a participação das duas mulheres na obtenção da gravidez.

Resumidamente, o Método ROPA tem como principal característica o tratamento de fertilização in vitro (FIV) compartilhado entre as duas mulheres. Uma das mulheres vai fornecer os óvulos, que são colhidos por punção ovariana. Esses óvulos serão fertilizados com o banco de esperma e essa será a mãe genética.

Depois, a outra mulher recebe os melhores embriões, que serão introduzidos no seu útero. Ela irá engravidar, e levará adiante a gravidez até o parto. Dessa forma, as duas mulheres participam ativamente do processo de gravidez que trará o filho ao mundo.

Como é o tratamento do método ROPA

O tratamento é realizado de forma sincronizada. As duas menstruações, tanto da mulher que doará os óvulos, como da que receberá os embriões, precisam coincidir. Normalmente se recorre ao uso de medicamentos para equilibrar e alinhar esses períodos.

Quando chega entre o 2º e o 3º dia da menstruação é dado o início do procedimento. Para a mulher que doará os óvulos, a preparação consiste em uma estimulação ovariana para a produção de óvulos maduros. São feitas ultrassonografias e análises hormonais durante os 12 a 14 dias, tempo de duração do procedimento.

Assim, pode ser feito o monitoramento para determinar o melhor momento da ovulação. Ao mesmo tempo, a parceira prepara o seu endométrio para a recepção dos embriões.

Uma vez que os folículos da mulher doadora tenham alcançado tamanho adequado, faz-se a punção folicular para extrair óvulos maduros. É um procedimento muito simples e rápido, que não dura mais de 20 minutos, e é feito sob sedação leve. Nesse mesmo dia, a mulher receptora dos embriões começa com um tratamento de progesterona.

Enquanto isso, a amostra de sêmen de doador é preparada em laboratório com o objetivo de selecionar os espermatozóides mais adequados para fecundar. Uma vez extraídos os óvulos, e com a amostra de sêmen do doador pronta, inicia-se a fecundação.

A evolução dos embriões é observada no laboratório, até ao dia da sua transferência. Paralelo a isso, a mulher que vai receber os embriões prepara o seu útero para maximizar as possibilidades de implantação. A preparação do endométrio – que já iniciou com a administração de hormônios – precisa alcançar a espessura correta.

Quando o útero da receptora é considerado pronto, faz-se a seleção dos embriões, que são transferidos para a cavidade uterina. É um processo rápido e indolor que não requer anestesia, nem cuidados posteriores.

No dia da transferência é recomendado repouso. E no dia seguinte uma atividade moderada para posteriormente retomar a vida normal. A mulher deve evitar esforços extras e esportes de competição durante as duas semanas seguintes.

Por volta de 15 dias após a transferência, realiza-se o exame de beta-hCG para confirmar a gravidez. Depois, realiza-se a primeira ultrassonografia para ver o tipo de gravidez (simples ou múltipla) e averiguar a presença de batimento cardíaco.

Mãe biológica influencia criança

O DNA do embrião é herdado da mãe genética (a que doa os óvulos) e do doador de sêmen. Mas vários estudos científicos demonstram que durante o período em que o embrião se desenvolve no útero, também ocorrem alterações na expressão genética do embrião. A “influência epigenética” representa as alterações que são determinadas pelo ambiente uterino da mãe gestante.

O embrião não irá herdar nenhuma das características dessa mãe gestante. Mas o desenvolvimento no seu útero vai determinar de forma única a atividade genética e influenciar aspectos diferentes e importantes. Um deles é, por exemplo, a proteção da criança a determinadas doenças.

Assim, este método se torna uma verdadeira partilha para os casais de mulheres. Tanto na jornada que é o tratamento reprodução assistida, como na vivência das emoções que ocorrem na tão desejada gravidez.

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