A gravidez é uma fase que exige atenção especial à saúde da mulher e do bebê. Entre os cuidados fundamentais durante o pré-natal está a vacinação.
“Além de proteger a gestante contra doenças que podem provocar complicações, alguns imunizantes permitem a transferência de anticorpos para o bebê ainda durante a gestação, contribuindo para sua proteção nos primeiros meses de vida”, conta o médico Fabio Vilela, do IVI Salvador.
No Brasil, o Ministério da Saúde estabelece recomendações específicas para a imunização durante a gravidez. Na primeira consulta do pré-natal, é importante apresentar a Caderneta de Vacinação para que a equipe de saúde verifique as doses já recebidas e identifique quais precisam ser iniciadas ou completadas.
A quantidade de doses e o momento adequado para cada vacina dependem do histórico da gestante, da idade gestacional e de situações individuais. Por isso, a orientação profissional é fundamental.
Por que as vacinas são importantes durante a gravidez?
A vacinação protege a gestante e, em algumas situações, também o bebê. Durante a gravidez, determinadas infecções podem apresentar maior risco de complicações para a mulher. Ao se imunizar, a mãe reduz a possibilidade de desenvolver formas graves de doenças preveníveis.
Outro benefício importante é a chamada proteção passiva. Após receber determinadas vacinas, a gestante produz anticorpos que podem atravessar a placenta e chegar ao bebê.
Essa proteção é especialmente relevante nos primeiros meses de vida, quando a criança ainda está iniciando seu próprio esquema de vacinação. A estratégia é utilizada, por exemplo, para proteger o bebê contra coqueluche e infecções graves provocadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR).
Quais vacinas são indicadas para gestantes?
Entre os principais imunizantes recomendados durante a gestação estão: hepatite B; dT, contra difteria e tétano; influenza; covid-19; dTpa, contra difteria, tétano e coqueluche; VSR; e febre amarela, em situações excepcionais.
Nem todas as gestantes precisarão receber todas essas vacinas durante a gravidez. A indicação depende do histórico vacinal e das condições individuais.
A vacina contra hepatite B deve ser iniciada ou completada durante o pré-natal quando a gestante não possui o esquema completo. Para quem não foi vacinada anteriormente, são indicadas três doses, respeitando os intervalos recomendados.
Quando já existem doses registradas, o profissional de saúde avalia a necessidade de completar o esquema. A proteção é importante porque a hepatite B pode ser transmitida da mãe para o bebê. Manter a vacinação atualizada é uma das estratégias de prevenção da infecção.
A vacina dT protege contra difteria e tétano e pode ser administrada durante a gestação, de acordo com o histórico vacinal. Para gestantes sem vacinação prévia, são necessárias três doses contendo os componentes contra difteria e tétano.
Quando a mulher já recebeu uma ou duas doses, o profissional orientará apenas as doses que faltam para completar a proteção. A imunização contra o tétano também contribui para prevenir o tétano neonatal por meio da transferência de anticorpos maternos para o bebê.
A vacina contra a gripe faz parte das recomendações para gestantes. A indicação é de uma dose da vacina influenza trivalente por temporada. A influenza pode causar complicações mais graves durante a gravidez.
Covid-19: uma dose em cada gestação. A imunização tem como objetivo reduzir o risco de formas graves e óbitos provocados pela infecção pelo SARS-CoV-2. Mesmo que a mulher tenha recebido vacinas anteriormente, a recomendação deve ser avaliada novamente em uma nova gravidez. A equipe responsável pelo pré-natal pode orientar o intervalo adequado em relação à última dose e o melhor momento para a aplicação.
Vacina dTpa na gestação
A dTpa é uma das vacinas mais importantes durante a gravidez. Ela protege contra difteria, tétano e coqueluche. A recomendação atual é de uma dose a partir da 20ª semana de gestação, em cada gravidez. Portanto, a mulher deve receber a dTpa novamente em uma nova gestação, mesmo que tenha sido imunizada anteriormente.
A principal razão para essa recomendação é proteger o bebê contra a coqueluche nos primeiros meses de vida. Os anticorpos produzidos pela mãe após a vacinação podem atravessar a placenta e oferecer proteção passiva à criança.
A coqueluche pode ser grave em recém-nascidos, especialmente por causar crises de tosse e dificuldade para respirar. Por isso, a imunização materna é uma importante estratégia de prevenção.
A dTpa não deve ser confundida com a dT. Enquanto a dT protege contra difteria e tétano, a dTpa também inclui proteção contra a coqueluche.
Vacina contra o VSR: proteção para o bebê
Outra importante recomendação é a vacinação contra o vírus sincicial respiratório (VSR). A indicação é de uma dose a partir da 28ª semana de gestação, em cada gravidez. O objetivo é contribuir para a proteção do bebê contra formas graves de infecção pelo VSR, incluindo bronquiolite e pneumonia.
Assim como acontece com a dTpa, a vacinação materna estimula a produção de anticorpos que são transferidos para o bebê pela placenta. Essa proteção é especialmente importante nos primeiros meses de vida, período em que as infecções pelo VSR podem apresentar maior gravidade.
A vacina pode ser aplicada no mesmo dia de outros imunizantes recomendados para gestantes, como influenza, Covid-19, hepatite B e dTpa, seguindo as orientações do serviço de saúde.
Febre amarela: quando a gestante pode receber?
A vacina contra febre amarela não é indicada de rotina para todas as gestantes. A aplicação pode ser considerada em situações excepcionais, principalmente quando a mulher vive ou precisa viajar para uma região com risco epidemiológico.
Nessas circunstâncias, a decisão deve considerar os riscos de exposição à doença e os possíveis benefícios da vacinação. A avaliação deve ser feita pelo serviço de saúde. Para viajantes, a orientação é realizar a vacinação com antecedência adequada.
Quais vacinas são contraindicadas na gravidez?
Algumas vacinas não devem ser administradas durante a gestação. De maneira geral, imunizantes que utilizam vírus vivos atenuados são contraindicados nesse período, salvo situações excepcionais que demandem avaliação específica.
Entre os principais exemplos estão: tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola; e varicela, contra catapora.
Por isso, é importante que mulheres que pretendem engravidar verifiquem sua situação vacinal antes da gestação. Quando essas vacinas são necessárias, o ideal é realizar a imunização previamente, conforme orientação profissional.
Caso uma vacina contraindicada seja aplicada inadvertidamente durante a gravidez, a gestante deve informar a equipe responsável pelo pré-natal para receber as orientações adequadas. Isso não significa, por si só, que haverá algum problema com a gestação.
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