Sentir uma pontada ou cólica na região pélvica no meio do ciclo menstrual é uma experiência mais comum do que muitas mulheres imaginam.
Em alguns casos, a dor surge de forma repentina, dura algumas horas ou até alguns dias e desaparece sem a necessidade de tratamento.
Para outras mulheres, entretanto, o desconforto pode gerar preocupação, especialmente quando ocorre de forma recorrente.
Essa condição é conhecida como dor intermenstrual ou Síndrome de Mittelschmerz, termo de origem alemã que significa “dor do meio”, em referência ao período do ciclo menstrual em que costuma ocorrer.
Popularmente chamada de dor de ovulação, ela surge durante o período fértil, geralmente entre o 12º e o 16º dia do ciclo menstrual em mulheres com ciclos regulares de 28 dias.
Nesse momento, um dos ovários libera o óvulo que poderá ser fecundado, processo que pode provocar desconforto ou dor em algumas mulheres.
Embora geralmente seja considerada uma manifestação normal do ciclo menstrual, nem toda dor pélvica deve ser ignorada.
A ovulação realmente pode causar dor?
Sim. Embora muitas pessoas associem o ciclo menstrual apenas à menstruação, a ovulação também envolve mudanças hormonais e físicas que podem provocar sintomas.
Durante o ciclo, os ovários desenvolvem estruturas chamadas folículos, que abrigam os óvulos em amadurecimento. Quando chega o momento da ovulação, o folículo dominante rompe-se para liberar o óvulo.
Esse rompimento pode causar uma pequena irritação na superfície do ovário e na cavidade abdominal. Além disso, uma pequena quantidade de líquido folicular e, em alguns casos, traços de sangue podem ser liberados na região pélvica, provocando desconforto temporário.
“Esse é um processo fisiológico do ciclo menstrual. Algumas mulheres não percebem nenhuma alteração, enquanto outras conseguem identificar exatamente quando estão ovulando por causa do desconforto”, explica a médica do IVI Salvador, Dra. Andreia Garcia.
Como é a dor causada pela ovulação?
A intensidade e as características da dor podem variar de mulher para mulher. Enquanto algumas relatam apenas um leve desconforto, outras descrevem a sensação como uma pontada, fisgada ou cólica mais perceptível na região pélvica. Geralmente, a dor ocorre em apenas um dos lados do baixo ventre, justamente na região do ovário que está liberando o óvulo naquele ciclo.
Além disso, é comum que a mulher sinta uma sensação de pressão ou desconforto na parte inferior do abdômen, que pode surgir de forma repentina. A dor pode ocorrer tanto do lado direito quanto do esquerdo da pelve, dependendo de qual ovário está liberando o óvulo naquele ciclo.
Na maioria dos casos, o desconforto dura apenas alguns minutos ou algumas horas. Em algumas mulheres, pode persistir por até 24 ou 48 horas. No entanto, quando a dor apresenta intensidade elevada, dura vários dias ou interfere nas atividades diárias, é importante investigar outras possíveis causas.
Dor nos ovários na metade do ciclo: quando é considerada normal e quando merece atenção?
Quando a dor ocorre durante o período fértil, sem outros sintomas associados e sem comprometer a rotina da mulher, costuma ser considerada normal. Ainda assim, é importante observar possíveis mudanças na intensidade, duração ou frequência do desconforto.
Apesar de a Síndrome de Mittelschmerz ser uma condição benigna, alguns sinais podem indicar a presença de outras doenças ginecológicas e merecem investigação.
A avaliação médica é recomendada quando a dor é muito intensa ou incapacitante, impedindo a realização das atividades diárias. Também é importante buscar atendimento caso o desconforto venha acompanhado de febre, náuseas, vômitos persistentes, sangramento intenso, tontura ou episódios de desmaio.
Como é feito o diagnóstico da dor de ovulação?
O diagnóstico da dor ovulatória é realizado por meio da avaliação clínica e do histórico da paciente. Durante a consulta, o ginecologista investiga características como a frequência da dor, o momento do ciclo em que ela ocorre, sua intensidade e a presença de outros sinais associados.
Quando necessário, o especialista pode solicitar exames complementares, como ultrassonografia pélvica ou transvaginal, que permitem avaliar útero, ovários e demais estruturas da pelve. Em situações específicas, exames laboratoriais também podem ser indicados para auxiliar na investigação e descartar outras causas para os sintomas.
Existe tratamento para a ovulação dolorosa?
Quando a dor é leve e compatível com a Síndrome de Mittelschmerz, muitas vezes não é necessário nenhum tratamento específico. No entanto, quando os sintomas são recorrentes ou interferem na qualidade de vida da mulher, algumas medidas podem ser recomendadas.
Entre as opções mais utilizadas estão os analgésicos e anti-inflamatórios prescritos pelo médico para reduzir a dor durante o período ovulatório. Em determinados casos, especialmente quando os episódios são frequentes ou mais intensos, o ginecologista pode indicar métodos contraceptivos hormonais.
Como esses medicamentos podem inibir a ovulação, eles também tendem a reduzir ou até eliminar a dor associada a esse processo.
Compressas mornas na região abdominal e hábitos saudáveis, como atividade física regular, alimentação equilibrada e controle do estresse, também podem contribuir para o alívio dos sintomas.
Dor de ovulação e fertilidade
Um ponto que costuma gerar dúvidas entre muitas mulheres é se a dor de ovulação está relacionada à fertilidade.
De forma geral, a presença da dor pode indicar que a ovulação está ocorrendo, ou seja, que o organismo está passando por uma das etapas fundamentais para uma gestação natural. No entanto, sentir ou não sentir dor durante a ovulação não determina maior ou menor fertilidade.
Para mulheres que estão tentando engravidar, identificar o período fértil por meio dos sintomas pode auxiliar no planejamento das tentativas de concepção. Já nos casos em que existem dificuldades para engravidar, especialmente após meses de tentativas sem sucesso, é importante buscar avaliação especializada.
“Em tratamentos de reprodução assistida, como a Fertilização in Vitro (FIV), o acompanhamento da ovulação e da função ovariana também desempenham papel fundamental, permitindo que os especialistas avaliem a reserva ovariana, monitorem a resposta aos medicamentos e definam as melhores estratégias para aumentar as chances de gravidez”, conclui a médica do IVI Salvador.
Embora a dor de ovulação seja frequentemente uma condição benigna, cada organismo reage de maneira diferente. Por isso, consultas periódicas e acompanhamento especializado são fundamentais para esclarecer dúvidas e cuidar da saúde reprodutiva.
Comentários estão fechados.