Para que a gravidez ocorra durante fase fértil da vida da mulher, o sistema reprodutor feminino precisa funcionar perfeitamente. No entanto, diversas doenças podem causar alterações no seu funcionamento, dificultando ou impedindo a concepção.
Os distúrbios de ovulação e danos provocados aos órgãos reprodutores, ovários, tubas uterinas e útero, estão entre os problemas mais comuns de infertilidade.
A infertilidade feminina, entretanto, tem tratamento na maioria dos casos, principalmente quando diagnosticada precocemente.
Síndrome dos ovários policísticos (SOP)
Um distúrbio hormonal comum durante a idade reprodutiva, a SOP tem como característica o aumento de testosterona (hiperandrogenismo), produzida em pequenas quantidades pelos ovários e, anovulação crônica (ausência de ovulação). Além de causar um aumento no tamanho dos ovários e o crescimento de múltiplos cistos na parte externa deles.
Irregularidades menstruais estão entre as consequências do desequilíbrio hormonal, incluindo ciclos mais longos, com maior ou menor quantidade de fluxo menstrual ou ausência de menstruação (amenorreia).
Essas irregularidades resultam em distúrbios de ovulação, caracterizados por dificuldades no amadurecimento do folículo ou falha em liberar o óvulo.
O hiperandrogenismo também interfere no processo de ovulação: provoca um microambiente androgênico nas células foliculares imaturas, que passam a secretar mais testosterona, impedindo o desenvolvimento e amadurecimento do folículo. As duas situações resultam em anovulação.
Doenças da tireoide
Os hormônios produzidos pela tireoide cumprem a importante função de regular o metabolismo das células, incluindo as foliculares. Quando há diminuição ou interrupção desses hormônios, condição chamada hipotireoidismo, o desequilíbrio hormonal leva, da mesma forma, à ausência de ovulação ou anovulação.
Endometriose
Doença que acomete cerca de seis milhões de mulheres no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Endometriose. Ocorre quando o endométrio (tecido que reveste o útero) migra para fora da cavidade uterina, podendo aderir às trompas, ovários, intestino, bexiga ou outros órgãos.
Apesar de ser uma doença de crescimento lento, o tecido anormal provoca um processo inflamatório, que tende a causar interferências na fertilidade desde os estágios iniciais: compromete o desenvolvimento dos folículos, afeta o ciclo endometrial causando um deslocamento do período mais receptivo para o embrião implantar, ao mesmo tempo que pode comprometer a qualidade dos óvulos e, consequentemente, dos embriões, resultando, nos dois casos, em falhas na implantação e abortamento.
Além disso, os endometriomas, um tipo de cisto ovariano comum nos estágios mais avançados, também comprometem a qualidade dos óvulos ou interferem na receptividade do endométrio, assim como podem afetar a reserva ovariana e causar perda folicular. Ou seja, ao mesmo tempo que interferem na fecundação, provocam falhas na implantação e abortamento.
À medida que processo inflamatório desenvolve, ocorre a formação de aderências. Nos ovários comprometem a liberação do óvulo e nas tubas uterinas, a captação dele, impedindo a fecundação. Podem, ainda, alterar a anatomia do útero, dificultando o desenvolvimento da gravidez.
Miomas uterinos
Miomas uterinos são tumores benignos, que crescem a partir das células musculares lisas do miométrio, camada intermediária do útero. No entanto, de acordo com a localização, quantidade e dimensões, podem comprometer a fertilidade.
Os miomas submucosos, por exemplo, por crescerem no interior do útero são os que mais afetam a fertilidade. Causam, por exemplo, alterações na receptividade endometrial, levando a falhas na implantação do embrião e, quando crescem próximos das tubas uterinas, aumentam o risco de obstruções, inibindo a fecundação.
Pólipos endometriais
Pólipos endometriais são crescimentos anormais que ocorrem no endométrio. Embora sejam benignos, os pólipos endometriais tendem a interferir na receptividade endometrial, resultando em falhas na implantação do embrião e, consequentemente, em abortamento.
Em maiores dimensões, assim como os miomas, tendem a modificar a anatomia uterina, dificultando ou impedindo o desenvolvimento da gestação.
Inflamações que afetam os órgãos reprodutores
Inflamações nos ovários (ooforite), nas tubas uterinas (salpingite), no colo uterino (cervicite) e no endométrio (endometrite) causam a formação de aderências, inibindo a liberação do óvulo e ou a captação dele pelas tubas uterinas, ao mesmo tempo em que comprometem a qualidade dele e afetam a receptividade endometrial.
Falência ovariana prematura (FOP)
A falência ovariana prematura, conhecida ainda como insuficiência ovariana primária ou menopausa precoce, tem como característica a manifestação de sintomas semelhantes aos que ocorrem na menopausa, porém antes dos 40 anos.
Trombofilia e Distúrbios genéticos
A trombofilia é uma doença caracterizada pela formação anormal de coágulos em veias e artérias. Pode causar alterações na vasculatura placentária, resultando em falhas na implantação e abortamento.
Anormalidades cromossômicas conhecidas como aneuploidia, quando há presença ou ausência de mais cromossomos do que o normal, podem resultar em falhas na implantação e abortamento. São bastante comuns em gametas (óvulos e espermatozoides) de pais mais velhos, por exemplo.
Outros fatores
Infecções sexualmente transmissíveis, como a sífilis, podem comprometer a saúde da mulher. A contaminação por germes como a Chlamydia trachomatis, Gonococos, Ureaplasma e Micoplasma, causam inflamações no aparelho reprodutor feminino que muitas vezes não são identificadas nos exames de rotina. Dessa forma, ao longo do tempo, mulheres podem apresentar alterações nas trompas ou no útero como sequelas dessas infecções.
Drogas e bebidas afetam tanto as mães quanto os fetos, podendo prejudicar as chances de engravidar e, no caso da gestação já andamento, comprometer o desenvolvimento saudável do feto.
Uso de alguns medicamentos para problemas como hipertensão, depressão, ansiedade, obesidade também precisa ser revisto e ajustado quando a paciente deseja engravidar.
Tratamentos e a reprodução assistida
Após a investigação para definir as causas, os resultados diagnósticos orientam para o tratamento mais adequado a cada paciente, que pode ser realizado pela administração de medicamentos, quando o problema é causado por alterações hormonais ou inflamações e, por cirurgia, para remoção de aderências, miomas ou pólipos.
“Após o tratamento, a fertilidade é restaurada em boa parte dos casos. Quando isso não acontece ou se os danos forem mais graves, as técnicas de reprodução assistida contribuem para aumentar as chances de engravidar”, explica o Dr. Fábio Vilela, do IVI Salvador.
Relação sexual programada (RSP) e inseminação artificial (IA), são tratamentos de baixa complexidade, mais adequados para mulheres com até 35 anos, que ainda possuem bons níveis de reserva ovariana, com as tubas uterinas saudáveis, pois a fecundação acontece naturalmente.
Existe ainda a Fertilização In Vitro, de maior complexidade, onde a fecundação acontece em laboratório. Normalmente adotada em casos de mulheres acima de 36 anos, com obstruções nas tubas uterinas ou outros fatores de fertilidade de maior gravidade.
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